Duas forças movem esta edição. O M&A brasileiro faz menos negócios e maiores, com o comprador cada vez mais estrangeiro e o câmbio abrindo a porta.
E o capital global parou de perseguir software: agora corre atrás de átomos, energia, data centers, a infraestrutura física que a IA exige e que o Brasil tem de sobra. Na quinzena, os dois movimentos vieram lado a lado, do inbound em energia à estreia da Monte em data center.
Os highlights desta edição são:
- Afya e Yduqs assinam fusão que cria companhia de ~BRL 9 bi no ensino médico, a maior consolidação doméstica da quinzena, com a Afya ficando com cerca de 69,3% da combinada.
- TotalEnergies entra no capital da Casa dos Ventos, inbound direto em uma das maiores geradoras de renovável do país, justamente o insumo que a corrida de data centers vai cobrar.
- GIC leva fatia em 7 ativos de transmissão da Neoenergia, capital soberano de longo prazo, mirando infraestrutura regulada brasileira.
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Boa leitura.

Resumo da Quinzena | 21 de setembro até 5 de outubro, 2026
A régua do M&A brasileiro subiu. Fecham-se menos negócios, e cada um passa por mais diligência, mais garantias e mais engenharia tributária, segundo a TTR Data. Menos volume, mais capital por operação, e uma distância crescente entre o comprador profissional, que fecha dezenas de deals por ano, e o vendedor que negocia a empresa uma única vez na vida.
E o comprador é, cada vez mais, de fora. Em 2025, o capital estrangeiro esteve em 59% das operações de M&A da América Latina, segundo a CRG com dados do S&P Capital IQ Pro, e o Brasil concentrou 217 dessas transações, 101 delas com comprador estrangeiro. Estados Unidos lideram, à frente de França e Espanha, com software e serviços de TI no topo.
O combustível é o câmbio. Com o real desvalorizado, uma empresa de BRLm 300 que custava USDm 128 em 2014 sai hoje por cerca de USDm 58, menos da metade, com a mesma geração de caixa. “O câmbio abre a porta para o capital de fora, mas o pagamento à vista só vem quando a empresa está pronta: números fechados, societário limpo e contingências mapeadas”, diz Ravi Paciornik, do Trajano Neto e Paciornik.
A quinzena confirma o enredo. No inbound, a TotalEnergies entrou na Casa dos Ventos, o GIC levou fatia em sete ativos de transmissão da Neoenergia, a AD Ports fechou a CLI e a América Móvil abocanhou a Desktop. Na consolidação doméstica, Afya e Yduqs se fundiram para criar uma gigante de BRL 9 bilhões no ensino médico, o TRX seguiu comprando shoppings da Iguatemi e o Carrefour vendeu 21 lojas ao Grupo Pereira.
A janela, porém, não é eterna: o real já saiu do pico de R$ 6,75. E o preço final não se decide na mesa, se decide na estrutura. Earn-out, escrow e desenho tributário separam o valor anunciado do valor que entra no bolso. Quem chega despreparado entrega o desconto na diligência.
O Brasil não faz o modelo de IA, faz o chão de fábrica
A inteligência artificial deixou de ser uma história de software e virou uma história de átomos. Nos Estados Unidos, a tech já responde por cerca de 76% do crescimento de lucros do S&P 500 em 2026, segundo a a16z, e o capital corre para o mundo físico: chips, energia e data centers. O fluxo de caixa dos hyperscalers está se convertendo em CAPEX de semicondutores e infraestrutura, aponta a BofA, e a demanda por computação ainda supera a oferta.
O discurso, porém, corre na frente da prova. A Apollo mostra que 69% das empresas do S&P 500 já apontam para uma aplicação de IA em produção, mas apenas 2% reportam uma métrica que acompanham ao longo do tempo, e nenhuma abre e rastreia o resultado. De um trimestre para o outro, a adoção subiu e a medição ficou parada. Muito CAPEX, pouca contabilidade.
No Brasil, a onda aterrissa pela infraestrutura. A Agência Internacional de Energia projeta que o consumo elétrico global de data centers quase dobra até 2030, de 460 para 945 TWh, acima do consumo anual do Japão. O país tem o que a IA exige e os EUA não têm de sobra: matriz renovável, energia competitiva, cabos submarinos e terreno, barato em dólar.
E o M&A de data centers não esperou a régua regulatória ficar pronta. O Redata perdeu base com a caducidade da MP 1.318/2025 e o PL 278/2026 segue parado no Senado, mas o capital não travou. A I Squared comprou a Elea; a Monte Capital, gestora de infraestrutura, levou 100% da Takoda da Apax e estreou no digital, com quatro data centers. “A incerteza não altera a disposição para investir, mas a forma como os riscos são precificados e distribuídos entre as partes”, diz a advogada Daphne Minerbo. O risco virou cláusula: condição precedente, earn-out de energia, indenização.
Enquanto o mundo discute se o CAPEX de IA se paga, o Brasil vende o átomo que nenhum modelo dispensa: megawatt, fibra e metro quadrado. A camada de inteligência fica lá fora. O chão de fábrica, e o M&A que vem junto, está aqui.
Rumores
- Origen Resources avança na aquisição do projeto de mineração Campo de Cima no Brasil
- Karoon busca parceiros para desenvolver bloco no pré-sal da Bacia de Santos
- Ações da Nu Holdings sobem 6% após negar negociações para aquisição da Monzo
- Hapvida estuda captar até BRL 1,5 bi com venda de imóveis hospitalares
- Conselho do Comercial aprova projeto para transformação do clube em SAF
- Equatorial estrutura novo aporte do Itaú em negócio de distribuição de energia
- BP avalia venda de operações de biocombustíveis no Brasil
- Monzo negocia venda de controle para o Nubank, apontam fontes
- Tivit planeja investir BRL 1 bi em aquisições na América Latina
Job moves
- Ex-CFO do Nubank torna-se sócio da Kaszek, que capta novo fundo de investimento
- Outsera promove COO ao cargo de CEO
- PetroRecôncavo inicia processo de sucessão do diretor estatutário Troy Finney
- Pace anuncia Felix Fontes como novo diretor de mídia
- Zapmedia anuncia novo diretor de novos negócios
- 3tentos elege novo membro para o conselho de administração
- Renova Energia elege novo presidente para o conselho de administração
- Ricoh Brasil contrata André Baron como novo diretor comercial
- Stefanini nomeia Guilherme Stefanini como CEO para a América do Norte
- TIVIT nomeia Patrick Baudon como Chief AI Officer (CAIO)
- Grupo Taking nomeia Frederico Kastrup como VP de Operações
- Marisa Lojas destitui diretor financeiro
- Marcio Toscani assume como CFO para América Latina na Monks
- Andrea Siqueira deixa a liderança da Ampfy após dois anos
- JSL elege novo diretor financeiro (CFO)
- Conselho da Oncoclínicas terá nova eleição após renúncia em meio a crise de acionistas
- Novo presidente da KPMG assume com foco na gestão de pessoas
- Lenovo nomeia Marcos Café como diretor de Data Storage e IA na América Latina
- Anacouto contrata João Gonzalez como diretor executivo de negócios
- Snowflake nomeia Rodrigo Pimenta como novo Country Manager no Brasil
- Motorola Solutions amplia estrutura de liderança voltada ao setor público
- Gotcha anuncia contratação de Bernardo Bastos como novo CEO
- Bradesco anuncia novo head de marketing para a divisão Wealth Management
- Presidente do conselho de administração da Tupy renuncia ao cargo
- Impulso contrata Polyana Gris para a diretoria comercial
- Imagineers anuncia novo diretor de negócios para impulsionar expansão
- Grupo RPMA contrata Lucia Müller para o time de liderança
- Grupo Massa reestrutura gestão e nomeia Luiz Tiossi como novo CEO
- Copasa aprova nomes da nova diretoria e do conselho de administração
- Betha Sistemas contrata vice-presidente de relações institucionais e governamentais
IPOs
Captações
- Eneva conclui etapa de operação de refinanciamento de dívidas
- MRV registra na CVM oferta de cotas do FII Mauá Capital Luggo
- Bioma capta BRLm 100 para projetos imobiliários em terrenos subaproveitados
- NG.CASH capta USDm 15 com Blockchain Capital para expansão e licença do BC
- TRXF11 divulga comunicado ao mercado sobre movimentação em seu portfólio
- Movida capta BRL 1,275 bi em emissão de debêntures para investidores profissionais
- BNDES aprova BRLm 180,7 para financiamento de duas plantas de biometano
- AMentoria capta BRLm 1 em rodada Seed com Triaxis e Crescera
- Mombak capta novo fundo de reflorestamento com apoio da Salesforce
- BNDES apoia com BRLm 25 desenvolvimento de software com IA para construção civil
Regulatório
- Supermercados BH obtém aprovação final no CADE para aquisição da rede DMA
- CADE desobriga Amazon e Anthropic de submeterem operação à análise antitruste
- CVM aprova OPA da Braskem após alteração no controle acionário
- JBS faz pedido na CVM para cancelamento de registro e reorganização corporativa
- Banco Santander solicita registro na CVM como emissor estrangeiro e programa de BDR
- Área técnica da CVM acusa Nelson Tanure de evitar OPA obrigatória na Gafisa
- Sem contestações no CADE, irmãos Batista têm caminho livre para assumir a Avibras
- CADE aprova compra de 11,7% do Assaí por sócios do Grupo Muffato
- CADE aprova aquisição de 72,8% da Desktop pela Claro NXT
- CADE conclui processo de venda de serviços telefônicos da Oi para a Método
- CADE aprova compra de usinas de açúcar e etanol da Bunge pela COFCO
- CADE aprova aquisição de 18 postos de combustíveis pelo Assaí em São Paulo
Joseph Kalim