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M&A Community no Brasil – Ed. #77

Brazil 29 min read
Author
Luca Rossi

Bem-vindos à edição #77 da M&A Community Brasil. 

Vamos começar com drama? 

A novela da Gol, em recuperação judicial desde janeiro de 2024, ganhou mais um capítulo — mas que parece mais um cliff hanger. O flerte com a Azul, em uma fusão que pode criar gigante na aviação, agora foi oficializado por meio de um MoU. Assinado neste mês, depois de ser adiado em novembro, o documento prevê que ambas companhias continuem com seus certificados operacionais segregados, mas sob uma única entidade resultante. O potencial acordo também envolveria troca de ações entre as companhias, que manteriam suas marcas e operações.

Mas esse não é o nosso único destaque nesta semana:

  1. O BTG agora controla a operação brasileira Julius Baer. A aquisição movimentou BRLm 615, somando BRL 61 bi em ativos e projetando superar BRL 100 bi em multifamily office. O Julius Baer, no Brasil desde 2005, enfrentava perdas e mudanças internas, mas agora parece que a energia foi renovada.
  2. Nova grande força no mercado imobiliário? A Cyrela e o CPP Investments firmaram uma joint-venture para investir BRL 1,7 bi em imóveis de alto padrão em São Paulo, com cada parte aportando 50% do valor. 
  3. A sinergia com startups chegou na Sem Parar. Buscando diversificação, a marca investiu para trazer a Gringo para seu portfólio. A operação envolveu investidores e, entre eles, o fundo sueco VEF — que embolsou USDm 15,2 com a transação. 

Não deixe de conferir todas as movimentações da semana no nosso Deals Highlights. 

Boa leitura.

Deal Highlights 8 a 21 de janeiro

TypeIndústriaTargetBuyerSeller
01

Takeover

FIG

Operação brasileira do Julius Baer

BTG Pactual

Private Shareholders

02

Asset Acquisition

Healthcare/Pharma

Carteira de planos odontológicos da Zurich Santander Brasil

Amil

Zurich Santander Brasil

03

Takeover

TMT

TaskDo

Invent Software

Private Shareholders

04

Takeover

Services

Golden Cargo

Grupo Mirassol

Private Shareholders

05

Takeover

Services

Colégio Máxi (Londrina)

Giusto 5

Cognita

06

Takeover

Services

Elisa.bet

Multibet

Private Shareholders

07

Takeover

TMT

U4C

Okto Bank

Private Shareholders

08

Takeover

Consumer

Dr.Peanut

Grupo Supley

Private Shareholders

09

Takeover

Services

Ravato

RodOil

Private Shareholders

10

Takeover

Services

Cargopetro

RodOil

Private Shareholders

11

Asset Acquisition

Real Estate

7 lojas (imóveis + CD)

Grupo Pereira

Schmit

12

Minority Stake

Services

CERC

Serasa Experian

Private Shareholders

13

Takeover

Services

BuscaOnibus

DeÔnibus

Private Shareholders

14

Takeover

Agribusiness

Consultec

Alianzo

Private Shareholders

15

Takeover

TMT

Operações da AXN Heavy Duty

Randoncorp

AXN Heavy Duty

16

Takeover

Consumer

Hey Ho Cervejaria

Grupo Turatti

Private Shareholders

17

Asset Acquisition

Agribusiness

18 unidades Synap (Atua Agro/Agrocerrado)

Olfar Agro

Syngenta

18

Takeover

Agribusiness

Moinho Dona Alda

Coopavel

Private Shareholders

19

Takeover

Services

Elisa.bet

Multibet (grupo Multicap)

Private Shareholders

20

Joint Venture

TMT

SCD BTG Senior (nova sociedade de crédito)

BTG + Senior Sistemas

21

Takeover

Real Estate

Hotel de luxo (Gov. Celso Ramos)

Grupo Faro Verde

Private Shareholders

22

Asset Acquisition

Services

Operação de TV paga (UPI)

Mileto

Oi

23

Takeover

TMT

Newtail

Vtex

Private Shareholders

24

Takeover

Industry

De Carlo Usinagem e Componentes

Leonel Zeferino, Thiago Lara, Jonas Gomes e Bruno Maximo

Private Shareholders

25

Asset Acquisition

Industry

Mina de fosfato (Patos de Minas, MG)

Fosfatados Centro

Mosaic

26

Joint Venture

Real Estate

JV focada em imóveis de alto padrão em SP

Cyrela + CPP Investments

27

Asset Acquisition

Energy

13 termoelétricas (localizadas na região Amazonas/AM

Âmbar

Private Shareholders

28

Takeover

TMT

Frenet

Skydropx

Private Shareholders

29

Takeover

Consumer

Laboratório Mundo Animal

Biogénesis Bagó

Private Shareholders

30

Takeover

TMT

Matrix Cyber Consulting

Conviso

Private Shareholders

31

Asset Acquisition

TMT

Canal TV + Pet

Trabalhe Pra Cachorro

Private Shareholders

32

Majority Stake

TMT

Knesis IT (50%)

Lab2dev

Private Shareholders

33

Takeover

Energy

Seacrest

(Bancos Credores)

Private Shareholders

34

Takeover

Services

Op. de contabilidade e folha

TMF Group

RSM

35

Minority Stake

Industry

Vale (4,05%)

Private Shareholders

Cosan

36

Takeover

Services

Navig8

ADNOC

Private Shareholders

37

Takeover

TMT

Winco

BluePex

Private Shareholders

38

Takeover

Consumer

Tasty

Boali

Patrícia Lion e Rodrigo Pasinato

39

Takeover

Services

Gringo

Sem Parar

VEF e Private Shareholders

BCG aponta crescimento de 3% no valor total das transações em 24’

Vamos continuar com o nosso #TBT de 2024? Nessa quinzena, foi a vez do BCG alimentar o hype do M&A para 2025 e divulgar seus dados consolidados do ano passado

Os insights mostram um valor transacionado globalmente na casa dos USD 2,1 tri. Apesar do montante representar 3% a mais do que o visto em 2023, ainda está abaixo da média dos últimos 10 anos (USD 3 tri). Já o número de deals continua em queda, recuando para 32 mil — menos do que os 32,4 mil registrados em 2023.

Em resumo, o relatório do BCG aponta que:

  • América do Norte: as operações somaram USD 1,2 tri, alta de cerca de 1% em relação a 2023. Desse total, USD 1,1 tri envolveu alvos nos EUA, que responderam por 52% das operações globalmente, em sua maioria adquiridos por empresas americanas.
  • América do Sul e Central: o valor foi de USD 54 bi, queda de 5%.
  • Europa: as transações chegaram a USD 483 bi (+16%), com aumentos expressivos no Reino Unido (+120%) e na França (+45%), mas reduções significativas na Alemanha (–41%), Itália (–31%) e Países Baixos (–24%).
  • África: o valor subiu 44%, para USD 13 bi.
  • Oriente Médio: caiu 21%, totalizando USD 18 bi.
  • Ásia-Pacífico: as operações somaram USD 391 bi (–2%), influenciadas por quedas na China (–14%) e na Austrália/Nova Zelândia (–9%), mas compensadas por altas significativas na Índia (+73%), Japão (+25%) e Coreia do Sul (+21%).

Eu sei e você sabe: não são dados incríveis (especialmente para LATAM).

Mas é o suficiente para inspirar otimismo. Esse “ensaio” de recuperação apresentado no ano passado foi o suficiente para subir o M&A Sentiment Index, que captura as expectativas do setor para o próximo período. 

  • Em linhas gerais, o índice aponta melhora, sobretudo na América do Norte e Europa, enquanto a Ásia-Pacífico segue mais tímida, pressionada por incertezas geopolíticas.
  • Ainda assim, setores como Tecnologia, Energia e Saúde apresentam sinais de recuperação acima da média, impulsionados por transformações estruturais (digitalização, IA e transição energética) que exigem maior consolidação e sinergia.

Deu o que falar…

  1. A Pandurata, controladora da Bauducco foi admitida pelo Cade como terceira interessada na aquisição da Wickbold pela Bimbo, apontando possível concentração. O Cade avaliará eventuais “remédios” para aprovar a transação.
  2. A 2ª Vara da Fazenda Pública de Belo Horizonte invalidou o leilão de agosto de 2023, em que a Cemig negociou pequenas centrais hidrelétricas. A estatal recorrerá da decisão.
  3. Hidrovias do Brasil está tentando evitar o default. A assembleia da empresa aprovou waiver que impede antecipação de debêntures. A empresa também emitiu BRLm 400 em novas debêntures, com liquidação em 17 de janeiro de 2025.
  4. A Amaggi e a Ramax estão brigando por milho? As empresas estão em disputa sobre 18 mil sacas que um produtor vendeu para ambas as empresas. A Amaggi alega que o milho foi vendido em descumprimento a um contrato firmado por meio de uma CPR, enquanto a Ramax afirma que pagou pelo produto e não tinha conhecimento da penhora prevista na CPR.
  5. A fusão entre Azul e Gol ainda não virou realidade, mas já está dando o que falar. O Instituto Empresa diz estar preocupado com acionistas minoritários em meio ao processo. O receio é que a operação gere uma concentração de mercado, o que “agravaria a concentração de companhias abertas em setores estratégicos e restringiria a competitividade entre os investidores”.

Novos fundos e captações

OwnerFundCategoryExpected AUM
01

Big Bets

Venture Capital

BRLm 300

02

JiveMauá

MCLO11

Real Estate

BRL 1,2 bi

Market Trends

Megadeals estão voltando; e essa pode ser a oportunidade que o setor de Óleo e Gás estava esperando

Uma coisa do relatório do BCG que ainda não contamos: o interesse em transações de grande porte parece estar renovado. 

Mesmo que o número total de operações tenha diminuído, o valor agregado em big deals (acima de USDm 500) voltou a crescer gradualmente, ainda que permaneça aquém dos picos recentes. Já os megadeals (acima de USD 10 bi) seguem em nível moderado e não retornaram aos recordes de 2022 e 2023 — reflexo de fatores como maior cautela dos investidores e escrutínio regulatório mais rigoroso. 

  • Insight: embora alguns players permaneçam à margem em meio à volatilidade macroeconômica, podemos esperar que grandes tendências continuem incentivando o M&A. Aqui, podemos listar: a transição energética, a digitalização e o avanço da inteligência artificial. 

Nesse cenário de megadeals aquecidos, vale a menção especial para o setor de Óleo e Gás. Foram 16 operações na T1 24, totalizando USD 87 bi. 

Embora represente uma queda em relação ao trimestre anterior, o setor mantém alta relevância no mercado global, com destaque para transações nos segmentos upstream e midstream, como a aquisição da Endeavor Energy pela Diamondback Energy por USD 26,8 bi e da Equitrans Midstream pela EQT Corporation por USD 14,5 bi. 

Será que a trend se repete pelo Brasil?


Fonte: Kroll

O perfil da receita dos bancos de investimento: menos M&A, mais renda fixa

O M&A representou uma quantia considerável da receita dos bancos de investimentos em 2024. Apesar de uma queda de 25% no montante total do valor transacionado (USDm 296) em comparação com 2023, o mercado ainda figurou como a segunda maior revenue stream do período, atrás apenas da renda fixa.

Transações nos setores de energia e infraestrutura foram destaque, pois atraíram compradores estrangeiros e possibilitaram fusões entre companhias brasileiras em busca de sinergias e ganho de escala. 

Agora, o desafio é manter esse momentum. Apesar do cenário de juros elevados e incertezas macroeconômicas, a expectativa é que, em 2025, banqueiros mantenham um fluxo constante de negócios — já que muitas das operações anunciadas ainda dependem de aprovações regulatórias.

  • Renda fixa foi a queridinha durante o período, garantindo BRL 2,1 bi em comissões. A alta demanda por títulos de dívida reflete a preferência de investidores em meio a juros elevados, cenário que também impulsionou as emissões internacionais de “bonds”.
  • Renda variável recuou para um dos patamares mais baixos da história, totalizando BRLm 311,1 (USDm 51) em comissões e sem indícios de novas aberturas de capital na bolsa brasileira.
    • No período, a maior oferta de ações de empresas já listadas na bolsa foi a da Sabesp. Mas mesmo um deal tão significativo, com BRL 14 bi trocando de mãos, não influenciou as receitas pagas, visto a baixa comissão recebida pelas financeiras. 

Fonte: Dealogic

M&A Tech retorna a números pré-pandemia; ERPs puxam o trem com 51 operações

O mercado de M&A Tech no Brasil registrou 191 transações em 2024, consolidando uma retomada significativa em comparação aos anos pré-pandemia, como 2018 (49 deals) e 2019 (83 deals). Esse aumento reflete a maturidade do mercado, que, embora tenha desacelerado em relação ao pico de liquidez de 2021-2022, mantém números superiores ao período anterior à pandemia.

Entre os setores compradores, ERP/TI liderou com 41 aquisições, Serviços Financeiros (35) e Marketing e Vendas (16).

O crescimento de compradores seriais, como Selbetti, que realizou cinco aquisições em 2024, reflete a busca por consolidação e expansão inorgânica. Setores como Saúde (12 deals) e Logística (10 deals) também ganharam relevância, impulsionados pela demanda por maior integração de serviços e infraestrutura.

Com predominância de transações abaixo de BRLm 100, o mercado apresenta oportunidades para startups em estágio intermediário. Entretanto, o sucesso das aquisições depende de uma boa preparação das empresas-alvo, incluindo governança robusta e alinhamento estratégico​

Fonte: Questum

M&A em Datacenters acumula mais de USD 29 bi em 24’ e é grande tendência para 25’

Falar que Tech é tendência de investimentos já é algo batido. Vamos ver uma tendência mais específica? 

Dados do Synergy Research Group apontam o mercado de data centers como uma locomotiva de M&A em 2024. O setor quebrou recordes no período, totalizando USD 57 bi em transações fechadas e mais USD 29 bi em acordos em andamento — valor que superou o pico anterior, de USD 52 bi, em 2022. 

Agora, sobre o perfil de quem está comprando, a resposta é uma só: o private equity. O PE tem dominado o setor, respondendo por 80-90% do valor das transações, com operações que variam de aquisições de empresas a compras de terrenos para novos data centers. O crescimento de 131% em relação a 2023 reflete a crescente demanda por infraestrutura digital e inovação tecnológica.

Fonte: Synergy Research Group

Estruturação de teses foi o principal desafio do buy-side em 2024

Quem comprou em 2024 enfrentou desafios significativos no processo de M&A, sendo a estruturação de uma tese robusta (27,3%) o principal deles; seguido pelo mapeamento estratégico de targets (22,7%) e a integração pós-transação — que também se mostrou crucial.  

A etapa, que acontece após o negócio ser fechado, está cada vez mais exigindo foco na captura de sinergias e na adaptação cultural entre as empresas. Um desafio em tanto; quem sabe, sabe. 

Outros obstáculos incluem dificuldades na negociação e no fechamento do negócio, desafios que evidenciam a necessidade de planejamento meticuloso, alinhamento estratégico e maturidade operacional das empresas-alvo. 

Fonte: Questum

Outras trends

  1. Preocupações fiscais e juros em alta levaram investidores estrangeiros a sacar BRL 32,1 bi da bolsa em 2024, maior volume desde a pandemia. Em 2025, já houve saída de BRL 3 bi nas primeiras sessões, ampliando essa tendência negativa.
  2. A atividade de M&A nos EUA aumentou em dezembro, subindo 0,6% com 997 anúncios em comparação com 991 em novembro. Sou só eu ou vocês também estão curiosos para ver os dados de janeiro?
  3. Em 2024, o Brasil perdeu fatia em fundos de mercados emergentes, pressionado por temores fiscais e rebaixado por instituições como JPMorgan e Morgan Stanley. Mas onde uns vêem desafios, outros enxergam oportunidades. A Arábia Saudita assumiu posição de maior destaque no MSCI EM.
  4. O setor de Saúde registrou 11 operações de M&A no 3º trimestre de 2024, queda de 15% em relação a 2023. No ano, as transações do segmento caíram 31,6%. Ainda assim, o mercado geral de M&A no Brasil cresceu 5% em 2024.
  5. Em uma nova pesquisa global da Deloitte com diretores e executivos de conselhos, quase 50% afirmam que a IA ainda não está nas suas agendas. Está na hora de intensificar a supervisão da IA nos boards? Ou será que os executivos já se saturaram desse “assunto do momento”?
  6. O setor privado deve investir até BRL 250 bi em infraestrutura no Brasil em 2025, com 110 leilões previstos, incluindo saneamento e transportes. O aumento do capital privado é atribuído à melhor estruturação de projetos, segurança jurídica e novos mecanismos de financiamento, como debêntures e fundos de infraestrutura. O setor de saneamento, em particular, deve atrair investimentos consideráveis, enquanto concessões rodoviárias e ferroviárias enfrentam desafios regulatórios.

Consumo

Intenções e Estratégias

M&A

Fundraising

Industria

Intenções e Estratégias

M&A

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Saúde

M&A

Intenções e Estratégias

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