Semana com novidades para o mercado brasileiro. De um lado, temos a Brazil Week acontecendo em Nova York. Do outro, o IPO da Compass deu o tom na região. Mas, no final, o sinal é o mesmo: o Brasil está na pauta dos alocadores globais como destino estratégico.
O fluxo estrangeiro na B3 em 2026 corrobora para essa visão: os R$ 57 bi já movimentados em 2026 não mentem. Já o M&A compartilha a mesma frequência, com capital estrangeiro respondendo por 59% das operações na América Latina em 2025.
Mas antes de mergulhar no paralelo entre o crossover global e o apetite estrangeiro pelo Brasil, confira os deals de destaque da última quinzena:
- A Axia vendeu 49% em 4 transmissoras para o Grupo Energía Bogotá por BRLm 451,5, consolidando o controle total dos colombianos sobre 1.086 km de linhas no Centro-Oeste e Sudeste.
- O BRB levanta BRLm 220,5 com venda de bloco da Biomm. Foram cerca de 30 mi ações, herdadas da carteira do Banco Master, vendidas a R$ 7,35.
- Finalmente um IPO! A bolsa brasileira viu a Compass estrear sua oferta de ações, fato inédito desde 2021. Muito além da captação, a oferta abre uma janela importante para o mercado de capitais brasileiro. Quando será o próximo?
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Boa leitura.

Deals breakdown
Curadoria entre 29 de abril e 11 de maio.
Deals identificados: 12
Capital estrangeiro voltou com convicção em 2025; confira os números
Em 2025, investidores estrangeiros foram responsáveis por 59% das operações de M&A na América Latina, segundo levantamento da
Dados da CRG com dados do S&P Capital IQ Pro revelam que investidores estrangeiros foram responsáveis por 59% das operações de M&A na América Latina em 2025. Das 467 transações concluídas na região, 276 tinham capital internacional. E o Brasil concentrou 217 dessas operações, com 101 deals protagonizadas por compradores de fora.
- Os investidores dos Estados Unidos, como sempre, lideraram os montante. Foram 29 transações em ativos brasileiros;
- A França aparece em segundo com 10;
- A Espanha segue com 8;
- Os setores mais ativos foram Software (43 operações) e serviços de TI e consultoria ( 24).
Mas há uma camada mais interessante além do número bruto. Muito além de “mercado emergente com potencial”, os resultados mostram que os argumentos desses investidores vão além: temos escala, consolidação e arbitragem de valuation em moeda forte.
Com o real em trajetória de valorização frente ao dólar e a bolsa em níveis elevados, o ativo brasileiro ficou mais caro em reais, mas continua barato em dólar para quem carrega capital em moeda forte. Essa equação explica por que o fluxo não arrefeceu mesmo com o ruído macro global.

Na B3, após a sangria de 2024, dezembro de 2025 trouxe uma virada com a entrada de BRL 26,4 bi em um único mês. Janeiro e fevereiro de 2026 seguiram o ritmo (BRL 15,3 bi e BRL 11,9 bi), respectivamente. Em abril de 2026, mesmo com desaceleração, o saldo ainda foi positivo em BRL 3,2 bi.
Em um ano cercado de incertezas, é bom ver capital estrangeiro voltando com convicção. Vamos cruzar os dedos e manter o momentum.
Resultados de fundos crossover dos EUA dão sinais de quem vai comandar o próximo ciclo
Os fundos crossover (especializados em rounds pré-IPO) norte-americanos tiveram resultados interessantes na Q1 2026, de acordo com a Pitchbook.
Eles investiram USD 220,9 bi no primeiro trimestre, contra USD 20,6 bi no Q4 de 2025. Uma multiplicação de 11x em valor, com o número de deals praticamente estável: 178 transações contra 425 do pico de 2021.

A matemática segue o mesmo padrão visto no ano passado, e que continua em 2026 em diversos mercados: menos deals, mas valores muito maiores.
O mercado chamou de “Mag 7 dos mercados privados”, uma concentração extrema de capital em um punhado de empresas. Alguns destaques ajudaram a empurrar esses números para cima:
- A OpenAI recebeu um round de USD 110 bi em fevereiro, com participação de Altimeter, Coatue e D.E. Shaw.
A Anthropic fechou uma Series G de USD 30,6 bi a valuation de USD 380 bi, liderada por Coatue, GIC e D.E. Shaw.
Brasil
Agronegócio
Consumo
Intenções e Estratégia
- Justiça encerra recuperação judicial da Bullguer após rede renegociar dívida de BRLm 113 e regularizar situação fiscal
- Elo contrata Bank of America, Bradesco e UBS BB para IPO nos EUA em teste à reabertura do mercado brasileiro de ações
- Casas Bahia tenta excluir crédito arbitral de BRLm 174 da recuperação extrajudicial do GPA após derrota em disputa sobre Globex
M&A
Energia
Tendências de Mercado
Controvérsias
- Relatório da Câmara pede suspensão de leilão bilionário de capacidade elétrica após suspeitas sobre preços-teto e risco de judicialização
- Atraso do MME ameaça primeiro leilão de baterias do Brasil e preocupa empresas do setor de armazenamento de energia
- PF liga empresas de energia renovável da família Vorcaro ao caso Master e amplia investigação sobre supostas vantagens ao senador Ciro Nogueira
M&A
FIG
Tendências de Mercado
Intenções e Estratégia
Fundos
Healthcare/Pharma
Tendências de Mercado
Intenções e Estratégia
- MAK Capital escala Ronis Gracie nas articulações para ampliar influência no conselho da Oncoclínicas em meio à crise financeira e operacional da companhia
- Squadra elege três conselheiros na Hapvida após críticas à gestão da família Pinheiro e amplia influência no board da companhia
- Acionistas da Profarma prorrogam novamente negociações para venda da fatia de 38,1% detida pela BPL Brazil Holding
M&A
Industria
Tendências de Mercado
M&A
Infraestrutura
Real Estate
Serviços
Intenções e Estratégia
M&A
TMT
Fundraising
- Pátria lidera rodada seed de USDm 3,5 na Benup para expandir plataforma de integração de benefícios corporativos para RHs enterprise
- Founders Fund lidera série B de BRLm 500 na Enter, que vira primeiro unicórnio de IA da América Latina
- Serasa compra IDwall por BRLm 400 para reforçar operação antifraude após aquisição bilionária da ClearSale
- Vellore Ventures investe BRLm 5 na Constr Up para digitalizar varejo de materiais de construção com inteligência artificial
Luca Rossi