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Primeiro IPO em 5 anos e deal de BRLm 450 da Axia

BRAZIL 10 min read
Author
Luca Rossi

Semana com novidades para o mercado brasileiro. De um lado, temos a Brazil Week acontecendo em Nova York. Do outro, o IPO da Compass deu o tom na região. Mas, no final, o sinal é o mesmo: o Brasil está na pauta dos alocadores globais como destino estratégico. 

O fluxo estrangeiro na B3 em 2026 corrobora para essa visão: os R$ 57 bi já movimentados em 2026 não mentem. Já o M&A compartilha a mesma frequência, com capital estrangeiro respondendo por 59% das operações na América Latina em 2025.

Mas antes de mergulhar no paralelo entre o crossover global e o apetite estrangeiro pelo Brasil, confira os deals de destaque da última quinzena:

  • A Axia vendeu 49% em 4 transmissoras para o Grupo Energía Bogotá por BRLm 451,5, consolidando o controle total dos colombianos sobre 1.086 km de linhas no Centro-Oeste e Sudeste. 
  • O BRB levanta BRLm 220,5 com venda de bloco da Biomm. Foram cerca de 30 mi ações, herdadas da carteira do Banco Master, vendidas a R$ 7,35. 
  • Finalmente um IPO! A bolsa brasileira viu a Compass estrear sua oferta de ações, fato inédito desde 2021. Muito além da captação, a oferta abre uma janela importante para o mercado de capitais brasileiro. Quando será o próximo?

Quer mais insights do backstage do M&A brasileiro? Se conecte comigo no LinkedIn e vamos conversar. 

Boa leitura.



Deals breakdown

Curadoria entre 29 de abril e 11 de maio.

Deals identificados: 12

DealIndustrySeller/CounterpartyBuyer/Investor
01

Alaska, de Luiz Alves, compra participação de BRLm 220 do BRB na Biomm e mira expansão da farmacêutica em insulina e canetas emagrecedoras

Healthcare/Pharma

Biomm

Alaska

02

Tauá Partners compra Telhanorte da Saint-Gobain após quatro anos de busca por comprador e assume varejista em meio a reestruturação

Consumer

Telhanorte

Tauá Partners

03

Supermercados BH compra DMA, dona de EPA e Mineirão, cria grupo de BRL 35 bi e ultrapassa GPA no varejo alimentar

Consumer

DMA

Supermercados BH

04

Fundadores recompram Lamiecco da KPTL por BRLm 42 e gestora multiplica investimento em fabricante de revestimentos recicláveis

Industry

Lamiecco

Grupo de Founders

05

Allos gira portfólio de BRLm 500 com venda no Shopping Curitiba e aumento de participação em Amazonas, Campo Grande e Caxias do Sul

Real Estate

Amazonas Shopping; Shopping Campo Grande; Villagio Caxias do Sul

Allos

06

Grupo Energía Bogotá compra fatia da Axia Energia em quatro transmissoras por BRLm 451,5 e assume controle integral dos ativos

Energy

Axia Energia

Grupo Energía Bogotá

07

BNDESPar subscreve 58,4 milhões de ações da Simpar e assume participação de 10% no capital da companhia

Industry

Simpar

BNDESPar

08

Pátria Log investe BRLm 79,2 para assumir controle integral de galpões logísticos em Simões Filho, na Bahia

Real Estate

Galpões Logísticos

Pátria Log

09

INDECX compra beX Educação para expandir ecossistema de soluções em experiência do cliente com consultoria, tecnologia e educação corporativa

Services

beX Educação

INDECX

10

Cleam Capital compra controle da Grano Alimentos da Arlon para acelerar expansão da líder brasileira em vegetais congelados

Agribusiness

Grano Alimentos

Cleam Capital

11

Grupo Justiz compra Incor Natal e amplia atuação hospitalar no setor de serviços de saúde

Healthcare/Pharma

Incor Natal

Grupo Justiz

12

Galeria.Holding compra The Future Studios para ampliar aposta em produção audiovisual com inteligência artificial generativa

Services

The Future Studios

Galeria.Holding


Capital estrangeiro voltou com convicção em 2025; confira os números

Em 2025, investidores estrangeiros foram responsáveis por 59% das operações de M&A na América Latina, segundo levantamento da 

Dados da CRG com dados do S&P Capital IQ Pro revelam que investidores estrangeiros foram responsáveis por 59% das operações de M&A na América Latina em 2025. Das 467 transações concluídas na região, 276 tinham capital internacional. E o Brasil concentrou 217 dessas operações, com 101 deals protagonizadas por compradores de fora.

  • Os investidores dos Estados Unidos, como sempre, lideraram os montante. Foram 29 transações em ativos brasileiros; 
  • A França aparece em segundo com 10;
  • A Espanha segue com 8
  • Os setores mais ativos foram Software (43 operações) e serviços de TI e consultoria ( 24)

Mas há uma camada mais interessante além do número bruto. Muito além de “mercado emergente com potencial”, os resultados mostram que os argumentos desses investidores vão além: temos escala, consolidação e arbitragem de valuation em moeda forte

Com o real em trajetória de valorização frente ao dólar e a bolsa em níveis elevados, o ativo brasileiro ficou mais caro em reais, mas continua barato em dólar para quem carrega capital em moeda forte. Essa equação explica por que o fluxo não arrefeceu mesmo com o ruído macro global.

Na B3, após a sangria de 2024, dezembro de 2025 trouxe uma virada com a entrada de BRL 26,4 bi em um único mês. Janeiro e fevereiro de 2026 seguiram o ritmo (BRL 15,3 bi e BRL 11,9 bi), respectivamente. Em abril de 2026, mesmo com desaceleração, o saldo ainda foi positivo em BRL 3,2 bi. 

Em um ano cercado de incertezas, é bom ver capital estrangeiro voltando com convicção. Vamos cruzar os dedos e manter o momentum.


Resultados de fundos crossover dos EUA dão sinais de quem vai comandar o próximo ciclo

Os fundos crossover (especializados em rounds pré-IPO) norte-americanos tiveram resultados interessantes na Q1 2026, de acordo com a Pitchbook.

Eles investiram USD 220,9 bi no primeiro trimestre, contra USD 20,6 bi no Q4 de 2025. Uma multiplicação de 11x em valor, com o número de deals praticamente estável: 178 transações contra 425 do pico de 2021.

A matemática segue o mesmo padrão visto no ano passado, e que continua em 2026 em diversos mercados: menos deals, mas valores muito maiores

O mercado chamou de “Mag 7 dos mercados privados”, uma concentração extrema de capital em um punhado de empresas. Alguns destaques ajudaram a empurrar esses números para cima:

  • A OpenAI recebeu um round de USD 110 bi em fevereiro, com participação de Altimeter, Coatue e D.E. Shaw. 

A Anthropic fechou uma Series G de USD 30,6 bi a valuation de USD 380 bi, liderada por Coatue, GIC e D.E. Shaw.


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