A segunda metade de julho manteve o M&A brasileiro em movimento. Entre 14 e 27 de julho, o Teaser Brasil acompanhou 37 movimentos, com o mercado doméstico sustentando o volume e energia e infraestrutura concentrando os maiores valores divulgados.
Não foi só na última quinzena que energia se destacou. Dados da Seneca Evercore e Bradesco BBI revelam que foi o centro dos grandes cheques na H1, mas por um motor diferente daquele observado nos Estados Unidos.
Por aqui, a IA ainda não lidera a tese: desalavancagem, rotação de portfólio e busca por fluxos de caixa previsíveis ajudam a explicar os R$ 6,47 bilhões em movimentos de energia com valor divulgado que apuramos nessa quinzena.
Os highlights desta edição são:
- A Ecopetrol retomou sua OPA pela Brava Energia, oferecendo R$ 23 por ação em uma etapa avaliada em cerca de R$ 2,67 bilhões. A operação integra o plano da colombiana para alcançar 51% do capital votante.
- O Nubank fechou acordo para comprar o Banco Porto Real e adicionar uma licença bancária brasileira à sua operação. Os termos não foram divulgados, e o fechamento depende da aprovação do Banco Central.
- A ICTSI assinou acordo para adquirir da Simpar o terminal de Porto Aratu, na Bahia, em uma transação com enterprise value de aproximadamente R$ 1,8 bilhão. O ativo tem capacidade anual de 9,5 milhões de toneladas.
Quer mais insights ou apenas bater um papo sobre o mercado? Se conecte comigo no Linkedin e vamos conversar.
Boa leitura.

Week Summary | De 14 até 27 de julho, 2026
Os 37 movimentos transacionais mapeados pelo Teaser Brasil entre 14 e 27 de julho mostram um mercado que se mantém tanto ativo, quanto bastante seletivo. Escala, previsibilidade de receita e capacidades difíceis de desenvolver organicamente ainda são as características favoritas de quem está fazendo deploy de capital.
Em meio ao período pré-eleitoral, o apetite parece comedido, focado em teses cuja noção de geração de valor de negócios parece mais estável, em sinergias claras e menor dependência à abordagens de maior risco.
Em quantidade, o mercado doméstico continua predominante. Das operações acompanhadas na quinzena, 28 foram domésticas, oito inbound e apenas duas outbound. Serviços financeiros lideraram a atividade, com oito registros, seguidos por energia, com seis, e tecnologia, com cinco.
Entre os dez M&As com preço divulgado em reais, energia, infraestrutura e real estate responderam por aproximadamente R$ 8,9 bilhões de um total de R$ 9,35 bilhões, cerca de 96%.
Energia lidera M&A brasileiro no primeiro semestre, e a responsável não é a IA
As cinco maiores operações de M&A no primeiro semestre de 2026 concentraram mais da metade do valor do período. Dados levantados pela Seneca Evercore e divulgados pela Folha de São Paulo mostram que o período registrou 330 deals, com queda de 21% em volume e 6% em valor total transacionado em comparação com o mesmo período do ano passado.
Os dados tem um paralelo interessante com o que foi observado em âmbito global. Energia (junto com óleo e gás) está entre os setores que lideram os valores do M&A brasileiro, com infraestrutura sendo um dos pilares da atividade (mesmo em um período de juros altos). Esse não é um padrão isolado e também se repete em mercados de referência, como o norte-americano.
Lá, as transações de fusões e aquisições em energia e serviços públicos atingiram um recorde no H1. Foram US$ 203,6 bilhões nos primeiros cinco meses do ano, mais de 40% acima dos US$ 141,7 bilhões registrados em todo o ano passado.
As similaridades vão até aí. Segundo pesquisa da Deloitte, o driver estrutural do crescimento do segmento nos EUA é a IA: só o investimento em data centers já atingiu US$ 151,5 bilhões, mais que o dobro dos US$ 68,7 bilhões do H1 2025.
Já no Brasil, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aponta que Data Centers ainda representam uma parcela relativamente pequena do consumo agregado, embora cresça rapidamente e já afete o planejamento do setor, especialmente em transmissão. Aqui, o driver é outro.
O que move os deals brasileiros?
A Seneca Evercore aponta para motores no H1 que, inclusive, persistem na curadoria do Teaser Brasil dessa semana. Desalavancagem, rotação de portfólio e busca por fluxos de caixa previsíveis são fatores de peso na decisão de fazer M&A.
Nessa busca por segurança, energia comprime teses bem interessantes. Transmissoras, hidrelétricas e outros ativos regulados oferecem contratos longos, receitas frequentemente corrigidas pela inflação e maior visibilidade de caixa. Em um ambiente de juros elevados e menor apetite por risco, essa previsibilidade torna os ativos do setor relativamente mais atraentes.
A curadoria do início do Q3 aponta na mesma direção. Na última quinzena, os movimentos de M&A de energia acompanhados pelo Teaser Brasil somaram ao menos R$ 6,47 bilhões em valor divulgado, reforçando o setor como principal alavanca de valor no deal flow brasileiro.

A IA apareceu, mas em outra camada do deal flow: na aquisição da Takoda e na operação global da Aligned Data Centers, dona da ODATA. Por outro lado, a aquisição de ativos de transmissão acumulou sozinha R$ 2,74 bilhões, com aquisições realizadas pela TAESE e GEB.
Rumores
- A Tigre, fabricante de canos e sistemas hidráulicos, pode estar á venda. Segundo fontes ouvidas pelo Bloomberg, a Advent contratou o Morgan Stanley para avaliar a venda da sua participação na fabricante brasileira. Ainda não há nada definido, e o private equity norte-americano ainda pode desistir de seguir em frente com a operação
- A Engie Brasil movimentou R$ 8,36 bilhões em distribuição primária de ações. O movimento faz parte dos esforços da companhia em levantar capital para aquisição de fatia da Jirau
- A MRV&Co assinou um memorando de entendimentos com a JiveMauá Real Estate para estruturar a venda de três empreendimentos da Luggo, no valor potencial de R$ 166 milhões
- A Mota-Engil está negociando a compra de 40% da Odebrecht Engenharia & Construção (OEC). As conversas estão avançadas, mas a construtora portuguesa ainda pretende concluir a integração de outros ativos antes de seguir para uma eventual assinatura. Ainda não há acordo fechado
- A rede alagoana de calçados Aby’s quer adquirir outra rede no Nordeste. O alvo não foi revelado, mas a compra pode acelerar a entrada da companhia em novos estados
- A Prudential colocou sua operação brasileira à venda e contratou o Morgan Stanley para conduzir o processo. A seguradora pede cerca de US$ 3 bilhões pelo negócio, embora a avaliação no mercado esteja mais próxima de US$ 2 bilhões. As conversas ainda estão em fase inicial e não há comprador definido
- A Mota-Engil continua perseguindo estratégias, agora com a possível compra da Bahia Mineração. O deal, que entra em rota final, envolve a mina Pedra de Ferro, a concessão da Fiol 1 e o Porto Sul, mas ainda depende da definição das condições da concessão ferroviária e da aprovação da ANTT
- As conversas em torno de uma possível entrada da Bain Capital e da Advent na Amil continuam no radar, embora a operadora afirme que não está formalmente à venda e avalia apenas a entrada de parceiros estratégicos. Mudanças regulatórias, atualmente em estudo para o setor de saúde suplementar, podem dificultar o avanço da operação
Regulatório
- O Cade aprovou a entrada indireta do Warrington Investment Pte, veículo de investimentos ligado ao fundo soberano de Singapura. A aprovação inclui a aquisição indireta de uma participação minoritária na empresa
- O Cade aprovou sem restrições a compra, pela Gerdau, da participação de 23,03% que a Copel detinha na Dona Francisca Energética (Dfesa), operadora da Usina Hidrelétrica Dona Francisca. O negócio movimenta R$ 150 milhões
- A JiveMauá converteu uma dívida antiga da Rota Verde (GO) em participação acionário. A companhia, que define o ativo como “muito interessante, mas que não deveria ser algo stand-alone”, agora estreia seus investimentos em equity no setor de infraestrutura. Os planos são continuar investindo e “crescendo nessa direção”
- A consolidação de ativos da Rio Alto pelo BTG foi aprovada pelo Cade. São 100% das ações em três SPEs do grupo Rio Alto, em transferência que ocorrerá por meio de execução de garantias e faz parte da reestruturação financeira da empresa (atualmente em RJ)
- O OPA para aquisição do controle da Brava pela Ecopetrol vai acontecer. A CVM tornou sem efeito a suspensão que havia determinado á operação, e agora a Ecopetrol deve divulgar novo instrumento e novas datas para o leilão das ações. A empresa pretende adquirir cerca de 26% das ações da Brava por meio de compras em bolsa
- O Cade enviou um questionários de 21 perguntas para 65 empresas do setor de saúde, com o objetivo de entender o impacto da compra da Medley pela EMS. Entre as respostas, uma das que se destacaram pela contundência foi a da Cimed, que afirma enxergar “pejuízos á concorrência no setor farmacêutico com a fusão”
- A Light protocolou o encerramento do seu procecsso de recuperação judicial após levantar R$ 1,5 bilhões com a emissão de 238,4 milhões de novas ações
- O Cade aprovou a parceria entre SLB e Shearwater para atuação na Margem Equatorial. Segundo o órgão, a operação está restrita às atividades necessárias para o desenvolvimento da cooperação e não envolve aquisição de ativos ou combinação de negócios
- O Cade admitiu os recursos apresentados pela Abep e pela Petrobras contra a aprovação sem restrições da fusão entre Saipem e Subsea7. Para a relatora, as manifestações levantam preocupações concorrenciais concretas e podem levar à revisão da decisão
- O Cade aprovou sem restrições a compra de 100% da Takoda, negócio de data centers da Tivit, pelo fundo M.Transportation, gerido pela Monte Capital. A operação marca a entrada do investidor, que também participa do Aeroporto de Guarulhos, no mercado brasileiro de data centers
- O governo estuda elevar os limites de faturamento que obrigam empresas a notificar operações ao Cade. A proposta em discussão levaria os patamares de R$ 750 milhões e R$ 75 milhões para cerca de R$ 2 bilhões e R$ 200 milhões e poderia reduzir em até 40% o número de negócios sujeitos à análise prévia
Job moves
- Felix Faber, após indicação da acionista Shell Brasil, é o novo vice-presidente do conselho de administração da Raízen
- A Rumo anunciou que Carvalho Brasi renunciou ao cargo estatutário de diretor vice-presidente de operações, segundo substituido por Angelo Kury Deves
- David Vélez agora faz parte do board da OpenAI. O movimento acontece quando a gigante de IA busca um IPO em Wall Street
- Ricardo Pacheco, ex-Itaú, assumiu como co-CEO da Smartbrain. O atual CEO e sócio-fundador, Henrique Spinosa, passa a migrar para desenvolvimento de novos produtos
- William Nozaki foi nomeado diretor de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras. O executivo, que está na companhia desde 2024, assume o cargo em 1º de agosto
- A Nuvini nomeou Alexandre Caramaschi como Chief Strategy Officer. O executivo vem da Semantix, onde atuou como CMO por cerca de um ano e meio
Captações
- A Jusfy levantou uma rodada Série A avaliada em US$ 15 milhões. O aporte foi liderado pela Quona Capital e contou com participação de fundos como Spectra Investiments, LegalTech Fund, FJ Labs, Maya Capital, e também marca o primeiro investimento da Thomson Reuters no Brasil através de seu braço de VC
- O colegiado da Renova Energia elegeu Sandro Kyoshi Yamamoto para o cargo de diretor (sem designação específica). No mesmo anuncio, a empresa também informou as renúncias de Daniel Teruo Famano e Ana Amélia Campos Toni aos cargos de conselheiros de administração
- O BTLG11, fundo de tijolo do BTG Pactual, realizou a maior captação do segmento na história. Foram R$ 1,8 bilhão captados em duas tranches, fazendo o fundo atingir um valor de mercado de R$ 7,3 bilhões
- A Enter, startup paulista de IA aplicada a processos jurídicos, recebeu um aporte do fundo de venture capital da TIM, gerido pela Upload Ventures Growth. O valor do investimento não foi divulgado
- A ISA Energia confirmou um follow-on de até R$ 1,2 bilhão, com a oferta de 44,4 milhões de ações preferenciais a R$ 27 cada. O volume ficou quase duas vezes acima do inicialmente previsto e será usado para reforçar a estrutura de capital e financiar a expansão da companhia em transmissão
Joseph Kalim