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M&A de energia no Brasil em 2026: a IA não lidera

BRAZIL 15 min read
Author
Joseph Kalim

A segunda metade de julho manteve o M&A brasileiro em movimento. Entre 14 e 27 de julho, o Teaser Brasil acompanhou 37 movimentos, com o mercado doméstico sustentando o volume e energia e infraestrutura concentrando os maiores valores divulgados.

Não foi só na última quinzena que energia se destacou. Dados da Seneca Evercore e Bradesco BBI revelam que foi o centro dos grandes cheques na H1, mas por um motor diferente daquele observado nos Estados Unidos. 

Por aqui, a IA ainda não lidera a tese: desalavancagem, rotação de portfólio e busca por fluxos de caixa previsíveis ajudam a explicar os R$ 6,47 bilhões em movimentos de energia com valor divulgado que apuramos nessa quinzena.

Os highlights desta edição são:

  • A Ecopetrol retomou sua OPA pela Brava Energia, oferecendo R$ 23 por ação em uma etapa avaliada em cerca de R$ 2,67 bilhões. A operação integra o plano da colombiana para alcançar 51% do capital votante.
  • O Nubank fechou acordo para comprar o Banco Porto Real e adicionar uma licença bancária brasileira à sua operação. Os termos não foram divulgados, e o fechamento depende da aprovação do Banco Central.
  • A ICTSI assinou acordo para adquirir da Simpar o terminal de Porto Aratu, na Bahia, em uma transação com enterprise value de aproximadamente R$ 1,8 bilhão. O ativo tem capacidade anual de 9,5 milhões de toneladas.

Quer mais insights ou apenas bater um papo sobre o mercado? Se conecte comigo no Linkedin e vamos conversar.

Boa leitura.



Week Summary | De 14 até 27 de julho, 2026

Os 37 movimentos transacionais mapeados pelo Teaser Brasil entre 14 e 27 de julho mostram um mercado que se mantém tanto ativo, quanto bastante seletivo. Escala, previsibilidade de receita e capacidades difíceis de desenvolver organicamente ainda são as características favoritas de quem está fazendo deploy de capital. 

Em meio ao período pré-eleitoral, o apetite parece comedido, focado em teses cuja noção de geração de valor de negócios parece mais estável, em sinergias claras e menor dependência à abordagens de maior risco. 

DealIndústriaEscopoComprador/InvestidorVendedor/Contraparte
01

Coamo acquires and leases Belagrícola units in Paraná

Agriculture & Food (Agri Infrastructure)

Domestic

Coamo Agroindustrial Cooperativa

Belagrícola

02

Terra Genomics raises R$18m seed round

Agriculture & Food (AgriTech)

Domestic

Pitanga Redux; Bold.t Capital

Terra Genomics

03

Canopy acquires Maxicon

Agriculture & Food (AgriTech)

Domestic

Canopy

Maxicon shareholders

04

Jusfy raises R$80m Series A

Business Services (Legal Services)

Inbound

Quona Capital; Thomson Reuters Ventures; Spectra Investments

Jusfy

05

Brivia Group acquires Elementar Digital

Business Services (Marketing)

Domestic

Brivia Group

Elementar Digital shareholders

06

Undisclosed bidder wins auction for Nutrella brand and assets

Consumer (Food & Beverage)

Domestic

[Buyer undisclosed]

Bimbo Brasil

07

Clariens enters advanced talks to acquire control of Segex and UVV medical education operations

Education (Education Services)

Domestic

Clariens Educação

[Target sellers]

08

Ânima Educação agrees to acquire FMU

Education (Education Services)

Domestic

Ânima Educação

[Target sellers]

09

Adecoagro agrees to acquire Raízen’s Caarapó sugar and ethanol mill

Energy (Biofuels)

Domestic

Adecoagro

Raízen S.A.

10

TAESA shareholders ratify acquisition of five Energisa transmission assets

Energy (Grid Network)

Domestic

TAESA

Energisa S.A.

11

GEB completes acquisition of Axia’s remaining stakes in four transmission concessions

Energy (Grid Network)

Inbound

Grupo Energía Bogotá / Gebbras

Axia Energia

12

Gerdau receives approval to acquire remaining stakes in Dona Francisca Energia

Energy (Hydro)

Domestic

Gerdau S.A.

Celesc; Copel

13

Ecopetrol resumes tender offer for Brava Energia

Energy (Oil & Gas)

Inbound

Ecopetrol Investimentos do Brasil

[Public shareholders]

14

Hipper Freios agrees to acquire 49.5% stakes in three Echoenergia wind projects

Energy (Wind)

Domestic

Hipper Freios

Echoenergia / Equatorial Energia

15

SL Holding Financeira investors agree to acquire Banco Ribeirão Preto

Financial Services (Banking)

Domestic

SL Holding Financeira / BPS investors

Varuna-linked vehicle and other Banco Ribeirão Preto shareholders

16

Nubank agrees to acquire Banco Porto Real

Financial Services (Banking)

Domestic

Nu Holdings Ltd. / Nubank

Banco Porto Real shareholders

17

Light approves R$1.35bn capital increase

Financial Services (Capital Markets)

Domestic

[Public shareholders]

Light S.A.

18

Quick Soft acquires RGBtec

Financial Services (Fintech)

Domestic

Quick Soft

RGBtec shareholders

19

Hero Seguros acquires Grupo CAM in Mexico

Financial Services (Insurance)

Outbound

Hero Seguros

Grupo CAM shareholders

20

Grupo DUX and BBS Capital structure R$100m receivables fund

Financial Services (Lending)

Domestic

Banco BS2 and other investors

Grupo DUX / BBS Capital Partners

21

bp agrees to sell minority interests in more than ten bp Ventures portfolio companies to Verdane

Financial Services (Private Equity)

Global

Verdane

bp plc / bp Ventures

22

Medipreço raises R$2.7m led by BDev Ventures

Healthcare (Digital Health)

Domestic

BDev Ventures

Medipreço

23

Oncoclínicas agrees to sell 51% of Saudi SMTC joint venture

Healthcare (Healthcare Services)

Outbound

Al Faisaliah Group Holding; Advanced Drug Company for Pharmaceuticals

Oncoclínicas

24

EDGE agrees to acquire 100% of AKAER

Industrials (Aerospace & Defence)

Inbound

EDGE Group PJSC

[Target sellers]

25

M.Transportation acquires Takoda data-centre platform

Infrastructure (Digital Infrastructure)

Domestic

M.Transportation / Monte Capital Partners

APX Brazil FIP; Luiz Roberto Novaes Mattar; minority shareholders

26

AIP, MGX and BlackRock GIP complete acquisition of Aligned Data Centers

Infrastructure (Digital Infrastructure)

Inbound

Artificial Intelligence Infrastructure Partnership; MGX; BlackRock Global Infrastructure Partners

Macquarie Asset Management and co-investors

27

ICTSI agrees to acquire Simpar’s Porto Aratu terminal business

Infrastructure (Ports)

Inbound

ICTSI Americas B.V.

Simpar S.A.

28

Advent explores sale of its 25% stake in Tigre

Materials (Construction Materials)

Inbound

[Buyer undisclosed]

Advent International

29

Harvest Minerals agrees to acquire Scanty Mineração and Brazilian rare-earth portfolio

Materials (Metals & Mining)

Inbound

Harvest Minerals Limited

Union Star Metals / Scanty Mineração shareholders

30

HGRE11 sells office units in One Berrini

Real Estate (Commercial Office)

Domestic

[Buyer undisclosed]

HG Real Estate FII / Pátria

31

TRXF11 acquires K100, K200 and K300 logistics complex

Real Estate (Logistics Property)

Domestic

TRX Real Estate FII / TRXF11

[Target sellers]

32

Gafisa confirms sale of interests in two Rio de Janeiro shopping centres

Real Estate (Retail Assets)

Domestic

Glória Participações

Gafisa S.A.

33

Urbis raises R$2m to expand AI-powered loyalty technology

Technology (AI)

Domestic

Investidores.vc; Triáxis; Crescera Capital

Urbis

34

TIM-backed Upload Ventures invests in legaltech Enter

Technology (AI)

Domestic

Upload Ventures

Enter

35

Brivia Group acquires SR Consulting

Technology (IT Services)

Domestic

Brivia Group

SR Consulting shareholders

36

Dinamize acquires Atendo

Technology (Software)

Domestic

Dinamize

Atendo shareholders

37

Conta Azul acquires Mister Contador

Technology (Software)

Domestic

Conta Azul

Mister Contador shareholders

Em quantidade, o mercado doméstico continua predominante. Das operações acompanhadas na quinzena, 28 foram domésticas, oito inbound e apenas duas outbound. Serviços financeiros lideraram a atividade, com oito registros, seguidos por energia, com seis, e tecnologia, com cinco.

Entre os dez M&As com preço divulgado em reais, energia, infraestrutura e real estate responderam por aproximadamente R$ 8,9 bilhões de um total de R$ 9,35 bilhões, cerca de 96%.


Energia lidera M&A brasileiro no primeiro semestre, e a responsável não é a IA

As cinco maiores operações de M&A no primeiro semestre de 2026 concentraram mais da metade do valor do período. Dados levantados pela Seneca Evercore e divulgados pela Folha de São Paulo mostram que o período registrou 330 deals, com queda de 21% em volume e 6% em valor total transacionado em comparação com o mesmo período do ano passado. 

Os dados tem um paralelo interessante com o que foi observado em âmbito global. Energia (junto com óleo e gás) está entre os setores que lideram os valores do M&A brasileiro, com infraestrutura sendo um dos pilares da atividade (mesmo em um período de juros altos). Esse não é um padrão isolado e também se repete em mercados de referência, como o norte-americano. 

Lá, as transações de fusões e aquisições em energia e serviços públicos atingiram um recorde no H1. Foram US$ 203,6 bilhões nos primeiros cinco meses do ano, mais de 40% acima dos US$ 141,7 bilhões registrados em todo o ano passado. 

As similaridades vão até aí. Segundo pesquisa da Deloitte, o driver estrutural do crescimento do segmento nos EUA é a IA: só o investimento em data centers já atingiu US$ 151,5 bilhões, mais que o dobro dos US$ 68,7 bilhões do H1 2025. 

Já no Brasil, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aponta que Data Centers ainda representam uma parcela relativamente pequena do consumo agregado, embora cresça rapidamente e já afete o planejamento do setor, especialmente em transmissão. Aqui, o driver é outro.

O que move os deals brasileiros?

A Seneca Evercore aponta para motores no H1 que, inclusive, persistem na curadoria do Teaser Brasil dessa semana. Desalavancagem, rotação de portfólio e busca por fluxos de caixa previsíveis são fatores de peso na decisão de fazer M&A. 

Nessa busca por segurança, energia comprime teses bem interessantes. Transmissoras, hidrelétricas e outros ativos regulados oferecem contratos longos, receitas frequentemente corrigidas pela inflação e maior visibilidade de caixa. Em um ambiente de juros elevados e menor apetite por risco, essa previsibilidade torna os ativos do setor relativamente mais atraentes.

A curadoria do início do Q3 aponta na mesma direção.  Na última quinzena, os movimentos de M&A de energia acompanhados pelo Teaser Brasil somaram ao menos R$ 6,47 bilhões em valor divulgado, reforçando o setor como principal alavanca de valor no deal flow brasileiro. 

A IA apareceu, mas em outra camada do deal flow: na aquisição da Takoda e na operação global da Aligned Data Centers, dona da ODATA. Por outro lado, a aquisição de ativos de transmissão acumulou sozinha R$ 2,74 bilhões, com aquisições realizadas pela TAESE e GEB.


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