A Q2 começou agitada para o M&A brasileiro. Foram 33 transações domésticas, 12 inbound e cinco outbound, em um pipeline sustentado tanto pela consolidação local quanto pela busca por escala, diversificação e ativos estratégicos além das fronteiras brasileiras.
Um pacing bom, ainda mais considerando o segundo trimestre difícil enfrentando pelo M&A na América Latina, com o valor total transacionado caindo de USD 36 bi no Q1 para USD 21,24 bi no Q2. Aqui, quem deve manter o momentum positivo é o mercado de Energia. Compradores e vendedores mostraram suas cartas na quinzena, com tubarões cercando inclusive a operação brasileira da Enel.
Os highlights dessa semana são:
- A ENGIE avançou na incorporação de 40% da hidrelétrica de Jirau, com uma participação avaliada em R$ 5,74 bilhões. A operação reforça a concentração dos ativos de geração dentro da companhia.
- A Radar fechou a venda de 41,2 mil hectares em Mato Grosso por R$ 1,85 bilhão para SLC Agrícola, Bom Futuro e Alexandre Jacques Bottan. O deal combina expansão de grandes produtores com a estratégia da Cosan de monetizar ativos e reduzir sua alavancagem.
- A Suzano concluiu a compra de 51% da plataforma internacional de tissue da Kimberly-Clark por cerca de US$ 1,3 bilhão, criando a Arbex. O outbound coloca a Suzano em uma posição confortável: controle de uma plataforma global e ampliando sua exposição a produtos de maior valor agregado.
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Boa leitura.

Week Summary | De 30 de junho até 14 de julho, 2026
O Teaser Brasil mapeou 50 operações de M&A no Brasil na última quinzena, das quais 29 foram concluídas, em uma agenda liderada por serviços financeiros, energia e consumo.
O setor farmacêutico no Brasil mostra sinais de pleno aquecimento. Ao menos quatro empresas do setor estão buscando compradores, sendo majoritariamente negócios buscando abrir capital para novos investidores.
Isso consolida um momentum interessante para a indústria: usar o capital levantado para consolidação e escala. A oportunidade também é dos investidores, com chances únicas de firmar exposição ao mercado.
Mas apesar dos ventos favoráveis nos farmacêuticos, é Energia quem continua dominando o pipeline. Já é possível identificar blocos de oportunidades: interesse pesado na Enel Brasil, venda da Origem Energia, da Porto Sudeste, de transmissoras da Quantum, Rio Alto, Ipiranga e terras da Cosan.
E a prospecção pode ser considerada otimista. Os ativos operacionais que estão entrando no mercado acham um ecossistema de compradores estratégicos interessados. Dealmakers da Iberdrola, Equatorial, State Grid, CDPQ, Vale e Gerdau, por exemplo, já estão dando sinais de ir às compras.
Una à disponibilidade de ativos no mercado, o interesse estratégico e a onda de demanda energética (impulsionada por Tech/IA), e você tem os contornos do dealflow no próximo ciclo. E já tem bastante gente se preparando para o capturar.
Megadeals puxam recorde; energia lidera na América Latina
Dados da Dealogic deram a leitura para o M&A na América Latina em 2026: depois de um primeiro trimestre acima de USD 36 bi, o valor dos deals recuou para aproximadamente USD 21,24 bi no Q2.

Globalmente, o M&A movimentou USD 2,8 tri no primeiro semestre de 2026, alta de 48% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Megadeals puxaram os números, foram 47 deals acima de USD 10 bi, que juntos somaram mais de USD 1,3 tri. Tecnologia liderou entre os setores, com USD 649 bi em operações anunciadas.
Para Ivan Farman, codiretor global de M&A do Bank of America, a lógica é operacional: um deal entre USD 1 bi e USD 3 bi pode consumir praticamente o mesmo tempo e a mesma estrutura de uma transação maior.
O começo do Q3 ainda representa uma janela curta demais para sustentar uma conclusão, mas permite um teste simples: o pipeline volta a converter ou o mercado passa a operar em um ritmo mais moderado? Nosso Deals Tracker já dá pistas, mas os resultados da Q2 também sustentam:

- Petróleo e Gás lideram o valor das operações na região.
- Utilities e Energia aparecem em segundo lugar, seguidas por Telecomunicações. Tecnologia e serviços financeiros completam o top 5. O momentum continua.
Rumores
- A Boliden confirmou que está em conversas inciais com a Votorantim sobre uma potencial aquisição de participações na Nexa Resources
- Nubank, MD Capital e Garantia Capital fizeram propostas par adquirir a Caixa Geral de Depósitos (CGD), subsidiária de um banco estatal de Portugal. O grupo russo Sputnik também pode estar entre os interessados, mas sua participação ainda não foi confirmada
- A Teuto está aberta á negociação para vender participações á novos investidores
- A farmacêutica indiciana Lupin colocou suas operações no Brasil á venda. A multinacional está buscando cerca de R$ 300 milhões pelos ativos no país, sendo assessorada pela UBS BB
- A União Química quer vender 20% da suas participações no Brasil, e contratou o UBS BB para auxiliar na busca por um investidor. A empresa está mirando em fundos de private equity ou familly offices
- A canadense Couche-Tard está negociando com o Grupo Ultra a compra de uma fatia do Ipiranga, a segunda maior rede de combustíveis do Brasil
- A Equatorial e Iberdrola iniciaram negociações para comprar ativos brasileiros da Enel. As empresas buscam renovações de concessões após a operação, e não descartam a possibilidade de comprar todos os ativos da companhia no país
- A Bauduco contratou a BR Partners como assessor enquanto busca por sócios minoritários. Entre os interessados estão o GIC, Itaúsa, Hershey’s e Mars. A Mondelez também está no jogo, mas busca levar o controle total da operação (coisa que a família Bauduco, proprietária da marca, afirma não ter interesse).
- A Prisma Capital, assessorada pelo Bradesco BBI, iniciou o processo de venda da Origem Energia, empresa produtora de gás natural e geradora de energia, com avaliação entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões
- Mubadala e a Trafigura estão avançando em um processo para a venda do Porto Sudeste, atraindo interesse de grandes investidores institucionais estrangeiros, além da Vale e da Gerdau
- A State Grid entrou na disputa pelos ativos de transmissão colocados à venda pela Quantum Energia, da Brookfield, tendo como principal concorrente a canadense CDPQ. A operação foi avaliada em US$ 1 bilhão e contempla as linhas transmissoras Sertaneja, na Bahia e Piauí, e Chimarrão, no Rio Grande do Sul
- Em meio á restruturação, a Rio Alto está em busca de um comprador para toda a companhia. Ao mesmo tempo o BTG Pactual iniciou a execução de garantia na empresa, após inadimplência de empréstimo de R$ 320,9 milhões junto ao Banco do Nordeste. A financeira detém, em alienação fiduciária, ações de três SPEs de usinas solares do complexo Santa Luzia,
- O Vasco protocolou na Justiça uma carta onde o emrpesários Marcos Lamacchia se compromete a comprar 90% da SAF
- O BTG Pactual não abandonou seus planos para adquirir o Digimais, banco de Edir Macedo envolvido em investigação de fraude pela PF. Segundo informações do Valor Econômico, os dois bancos se reuniram no inicio de julho para prosseguir com negociações
- Os desinvestimentos da Cosan devem continuar. Depois de vender R$ 1.8 bilhão em terras para a SLC Agrícola, rumores indicam que a empresa ainda possui mais R$ 1 bilhão em terras para possível venda
Regulatório
- Depois de credores conseguirem barrar a venda da V.Tal na justiça, a Oi está um passo mais perto da falência. O gestor judicial do grupo protocolou uma petição no TJRJ onde aponta agravamento da situação econômico-financeira do grupo. Segundo documento, o caixa da companhia de telecomunicações encolheu de R$ 88,1 milhões para R$ 19,6 milhões
- O CADE aprovou a venda de 100% da Tivit Infraestrutura de Tecnologia por um fundo gerido pela Monte Capital Management
- A compra da Oquei Telecom pela Alares foi aprovada. Na avaliação, o órgão antitruste destacou que a Alares e a Oquei não contam com clientes ativos e infraestruturas de telecomunicações nas mesmas cidades
- A operação que reúne os ativos de transmissão de energia do GEB (Grupo Energía Bogotá) e da gestora canadense CDPQ no Brasil sob a Verene Energia recebeu luz verde do CADE. A nova holding deve reunir 26 concessões e mais de 9 mil quilômetros de linhas de transmissão em 17 estados
- O Cade deixou, e agora 60% da Evolve pertence á rede de academias Smartfit. Concorrentes e conselheiros do órgão ainda podem questionar a operação nos próximos 15 dias, contados a partir do dia 9 de julho
- A CVM cancelou o OPA da Atom por alienação de controle, após alguns requerimentos feitos á Valorant Capital, que encabeçou a operação, não serem cumpridos a tempo. Valorant já havia pagado aos antigos acionistas, e já estava exercendo as prerrogativas de controle da Atom. Agora, com o cancelamento, a CVM passa a investigar os atos praticados nesse período de “controle irregular” e acionistas da Atom, em Assembleia, suspenderam os direitos políticos da contraparte
- A justiça de São Paulo rejeitou o pedido do Safra para suspender a venda do controle da Braskem á IG4 Capital. Em decisão, desembargador afirmou que a suspensão dependeria de “existência de risco de dano grave, impossibilidade de eventual reparação ou ausência de perigo de irreversibilidade da decisão”, o que não se confirmaria na operação
Job moves
- Marise Grinstein é a nova diretora administrativa da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig). Formada em engenharia civil na UERFJ, com qualificações em gestão empresarial e geotecnia, Marise já ocupou posições ministeriais, na Eletrobras Furnas e na superintendencia de Gás do governo fluminence
- A A5X anunciou a chegada de Dinarte Licks como CFO e a reorganização de sua estrutura executiva. O cofundador Karel Luketic deixa a posição de CFO e assume como vice-presidente. Já Cícero Vieira assume como COO, Paulo D’Angelo agora é CTO e André Monteiro passa a comandar Governança e Riscos Corporativos
- O Grupo Publicis está integrando suas operações de mídia sob gestão única, desafio que agora passa a ser encabeçado por Willie Taminato, novo CEO de mídia do grupo no Brasil
- Jerome Leveque assume como general manager da Adidas Brasil, sucedendo Olivier Gianina
- Jefferson Dias será CFO da BMW Motorrad América Latina, com base em São Paulo e posse em 1º de outubro
- CSU Digital nomeia Leonardo Paes de Barros De Cara como diretor executivo de Relações com Investidores e M&A
- Juan Felipe Bedoya assume a diretoria executiva regional da Volkswagen
- BMP anuncia Luiz Conrado Sundfeld como CFO
- Tatiana Rezende é a nova CFO da Sólides
- Suzano reorganiza vice-presidências e define liderança da Arbex. Mudanças envolvem Pablo Machado, Malu Pinto, Luís Bueno, Caroline Carpenedo, Pablo Cadaval e Miguel Sieh, incluindo posições executivas na Suzano e na joint venture Arbex
- Allianz Commercial anuncia novo diretor regional para a América Latina: Gerardo Prado
- A Ourofino Agrociência anunciou Ricardo Eguchi como novo CFO
- Millennium Management reforçou seu escritório em São Paulo com a contratação de Fabio Akira Hashizume para liderar o escritório. Rubens Machado e Otavio Teixeira também passam para a operação brasileira
- Goodman nomeia Thomaz F. Pompeo de Camargo como CEO da operação brasileira
Captações
- Unidade de IA da dona do Kwai capta US$ 2 bilhões em meio a plano de cisão
- O Patria Investimentos lançou uma oferta de R$ 500 milhões para um novo FII que busca financiar projetos de incorporação imobiliária. A oferta pode crescer 25%, levando o capital total levantado para R$ 625 milhões
- Aegea propõe novo aumento de capital de até R$ 2,1 bilhões
- A Kanoa ampliou sua captação para o primeiro fundo de R$ 150 milhões para R$ 175 milhões, com meta de chegar a R$ 200 milhões
- A AmidoMato captou R$ 2 milhões em uma rodada seed com Grão VC, RG Futures e Abunã. A entrada da AMAZ completa a rodada, que será usada para consolidar a produção de derivados do babaçu e ampliar a base de clientes
- A alemã Stenon captou € 18 milhões, cerca de R$ 106 milhões, em uma Série B liderada pela Pymwymic, com participação do DTCF. O Brasil está no centro dos planos de expansão da tecnologia de análise de solo em tempo real
- A colombiana Addi captou US$ 85 milhões em uma Série D liderada por BTG Pactual e Citius, com participação da Monashees e do GIC. Os recursos serão usados para ampliar sua plataforma de crédito e o portfólio de produtos na Colômbia
- A Cloud9 Capital levantou R$ 600 milhões para seu segundo fundo, o dobro do primeiro veículo. A gestora vai continuar investindo em empresas de tecnologia em fase de crescimento, com cheques maiores e uma carteira de até dez negócios
- O Pinbank captou R$ 100 milhões por meio de um FIDC estruturado pela XP. Os recursos serão usados para ampliar a capacidade de financiamento da operação de adquirência da fintech
- A argentina DeepAgro está levantando US$ 3 milhões, cerca de R$ 15,5 milhões, em uma pré-Série A, com a maior parte dos recursos vindo de um fundo brasileiro não revelado. O capital será usado para acelerar sua operação comercial no Brasil
- A Kanoa ampliou de R$ 150 milhões para R$ 175 milhões a captação de seu primeiro fundo, voltado a search funds, e agora mira chegar a R$ 200 milhões. A gestora pretende apoiar 20 empreendedores e viabilizar cerca de 12 aquisições de empresas brasileiras
- A 2TM, dona do Mercado Bitcoin, recebeu R$ 100 milhões da Tether no primeiro fechamento de uma Série C que deve ser concluída até o fim do ano. O SoftBank também acompanha a rodada, cujo valor final ainda não foi divulgado
- A Gupy investiu R$ 2,5 milhões na Bondy e comprou uma participação minoritária na startup de agentes de IA para RH. As empresas seguem independentes e a parceria deve levar a tecnologia da Bondy à base de clientes da Gupy
- A fintech Conta Cheia captou R$ 50 milhões com um fundo de investimentos para ampliar sua operação de crédito consignado privado. A empresa quer acelerar os convênios com médias e grandes companhias e reforçar sua tecnologia
- A Brendi captou US$ 6,6 milhões com a Propel Ventures para ampliar sua plataforma de pedidos e pagamentos pelo WhatsApp. A foodtech quer acelerar o desenvolvimento de IA e expandir sua base de restaurantes
- A HR Path fechou com a Ardian uma transação avaliada em quase US$ 1 bilhão para acelerar aquisições e sua expansão internacional. A empresa francesa é dona da Intelligenza e da GDT Brasil
- A PINC recebeu seu primeiro aporte da Shift Capital, que entrou no capital da marca gaúcha de barrinhas proteicas. O valor não foi divulgado e os recursos serão usados para construir uma nova fábrica, ampliar a equipe e acelerar a expansão comercial
- A mexicana Aviva captou US$ 18 milhões em uma Série A liderada pela Valor Capital, com participação da brasileira Caravela Capital. O dinheiro será usado para ampliar a rede de quiosques, o portfólio e o time de tecnologia
Joseph Kalim