O primeiro trimestre de 2026 fechou com um número que resume bem o momento: menos deals, muito mais dinheiro em jogo. O mercado não esfriou, ficou mais criterioso. E o capital estrangeiro, que já respondia por 59% das operações na América Latina em 2025, segue dando o tom.
Do lado dos deals, os destaques da quinzena são:
- A Loxam, maior locadora de equipamentos da Europa, anunciou a compra do bloco de controle da Mills por aproximadamente BRL 2 bi, equivalente á R$ 16 por ação, com prêmio de 22% sobre o fechamento anterior. Uma OPA para os demais acionistas vem na sequência, conforme determinação legal.
- A Sabesp segue no modo aquisição e compra a Sanessol, concessionária de saneamento de Mirassol (SP) com contrato de 30 anos, por BRLm 125 corrigidos pelo CDI. Mais um tijolo na estratégia de consolidação do setor.
- O TRXF11 estreou no setor hoteleiro com a aquisição da Forte Mar, dona do imóvel do Hotel Emiliano no Rio, ativo que saía do portfólio do BTG Pactual. Primeira operação hoteleira do fundo de BRL 6,2 bi de patrimônio.
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Boa leitura.

Deals breakdown
Curadoria entre 12 de maio e 25 de maio
Deals identificados: 13
Resultados do primeiro trismeste: M&A no Brasil mostra posição consolidada
O 1T 2026 fechou com 256 transações no Brasil, queda de 43% frente ao mesmo período de 2025, enquanto o valor agregado saltou 114%, para USD 17,7 bi. A equação mostra um mercado de capital concentrado, os tickets cresceram e a lógica de volume deu lugar à lógica de qualidade, segundo relatório da Aon com dados de TTR Data e Datasite.
O padrão se repete em toda a América Latina. A região registrou 482 transações no trimestre, com recuo de 36% no volume, mas crescimento de 87% no capital mobilizado.
No buyer-side, temos:
- América do Norte liderando o fluxo inbound com 75 transações (44%) na região;
- Europa aparece colada, com 73 transações (43%);
- A Ásia fecha com 16 transações (9%).
No ranking por país, o Brasil lidera em volume com 256 operações, mas os números mais reveladores estão nos vizinhos.
- O México registrou queda de 13% em transações e alta de +420% em valor (USD 6,08 bi);
- A Colômbia repete a dose: -38% em volume, +189% em capital (USD 5,31 bi);
- O Peru entrega o número mais gritante: -14% em deals, +856% em valor (USD 3,47 bi).
No geral, o trimestre priorizou estrategistas com tese clara, ativo com escala e governança no lugar encontrou mercado. O foco não está mais no volume, e isso acontece há algum tempo.
O período agora ajuda a botar uma pá de cal (mesmo que momentânea) nos padrões que vimos em 2021.
E tudo bem, porque mercados que passam por esse filtro saem mais saudáveis do outro lado.
PE brasileiro: o relógio não para e o mercado começa a se reinventar
Os fundos de private equity brasileiros nunca ficaram tanto tempo com suas investidas em carteira. Em 2024, o holding médio chegou a 5,6 anos, o dobro do observado há quinze anos, segundo estudo da Spectra encomendado pelo Valor.
O valor impressiona, mas não faz parte de uma tendência nova. A série histórica mostra que:
- 2022: 4,8 anos
- 2023: 5,2 anos
- 2024: 5,4 anos
- 2025: 5,6 anos
Os motivos entram em um misto de mercado de IPO parado (só desbloqueado recentemente, pela Compass) e nível de M&A ainda aquém do necessário para dar tração aos desinvestimentos. O resultado direto aparece no processo de captação: quem não consegue mostrar saída, tem dificuldade de levantar o próximo fundo.
Mas a tração de IPOs ainda não pegou, e o mercado não pode ficar parado esperando os juros caírem. Uma saída alternativa começa a ganhar tração: o secundário de PE, com fundos de continuação que permitem às gestoras ganhar prazo sem forçar uma venda a preço ruim. Cerca de 40% dos fundos da Spectra já estão alocados nessa estratégia. É a indústria se adaptando ao que o ambiente impõe e, no processo, criando uma nova camada de sofisticação no mercado local.
Gestoras que não conseguirem mostrar retorno vão enfrentar rodadas de captação cada vez mais difíceis. Nos EUA, essa pressão já produziu concentração visível. No Brasil, o movimento ainda está no começo, mas a direção é a mesma.
Energia: menos deals, mesma relevância estratégica
O setor de energia registrou queda de 18,6% nas transações de M&A em 2025: 70 operações contra 86 no ano anterior, segundo a PwC. A acomodação era esperada depois de anos aquecidos em geração distribuída e renováveis de grande porte. Mas menos volume não significa menos relevância:
- O curtailment segue como gargalo estrutural e pauta nos próximos dois ou três anos;
- A demanda por energia de data centers e IA reposiciona o Brasil como destino estratégico, mas com a ressalva de que a infraestrutura de escoamento ainda não acompanha o apetite;
- Transmissão emerge como o próximo front de M&A, dado o gargalo de escoamento de geração renovável.
O volume caiu, mas os motores de transação continuam vivos. Reciclagem de capital, pressão por escoamento de geração renovável e demanda crescente de data centers ainda têm muito chão pela frente. A conta vai chegar, só ainda não sabemos em qual trimestre.
Brasil
Controvérsias
Tendências de Mercado
- Itaú BBA vê reabertura seletiva de IPOs após estreia da Compass encerrar seca de quatro anos na B3
- Microsoft, AWS e TikTok impulsionam boom de data centers no Brasil
- Recuperação judicial de companhias abertas desafia equilíbrio entre reestruturação e regulação do mercado de capitais
- Itaú BBA vê novo ciclo para startups com foco em rentabilidade, IA e consolidação via M&A
Consumo
Controvérsias
Intenções e Estratégia
- Zavii projeta investir BRLm 20 e prepara novas startups de fitness e bebidas proteicas
- Azzas 2154 discute cisão entre Birman e Jatahy com possível IPO da Farm nos EUA
M&A
- Família fundadora da Predilecta compra participação na Bendu para acelerar expansão de alimentos saudáveis
- Britânica AB Mauri compra Casa de Bolos para reforçar franquias e confeitaria com receita projetada de BRLm 800
- Axxon amplia aposta em panificação congelada com fusão entre Doce D’Ocê e Nevasca; grupo projeta faturamento de BRLm 600 e mira consolidação do setor
Energia
Controvérsias
- Raízen negocia reestruturação de BRL 65 bi sem novo aporte de Shell e Cosan
- Tradener entra em recuperação judicial com dívida de BRL 1,7 bi em meio à crise no mercado livre de energia
Fundos
Intenções e Estratégia
- Cosan avalia vender fatia na Raízen após diluição com reestruturação de dívida de BRL 65 bi
- Taesa avança para comprar linhas de transmissão da Energisa em processo coordenado pelo BTG
- Governo promete leilão de baterias em até 15 dias e Axia mira fatia de investimentos de BRL 14 bi
Tendências de Mercado
FIG
Healthcare/Pharma
Fundraising
- Em crise, Alliança capta BRLm 76 com Prisma, Farallon e BTG para sustentar operações
- Healthtech DIO capta BRLm 4 com Triaxis, Crescera e fundador da Odontoprev para expandir IA odontológica
- Memed recebe aporte de BRLm 80 liderado por Bridge One e DGF; DNA Capital mantém controle e acelera expansão da prescrição digital no Brasil
Intenções e Estratégia
M&A
Mercado de Capitais
Industria
Infraestrutura
Controvérsias
Intenções e Estratégia
- Itaúsa busca novos investimentos em meio a juros altos enquanto Aegea vira foco de investidores
- Cosan recebe propostas de Bunge, Inpasa e Ultra por fatia minoritária na Rumo
- Entrada de BTG e Perfin na Cosan e interesse da Ultrapar elevam atenção sobre futuro da Rumo
- TIM, Claro, Telefônica e Sercomtel entram na disputa pela Oi Soluções em leilão de BRL 1,4 bi
- Porto de Santos investirá BRLm 800 para ampliar calado e acelerar megaterminal Tecon Santos 10
- ANTT avança com nova concessão da Malha Oeste de BRL 89 bi e avalia dividir ferrovia em três trechos
- Sabesp desiste da privatização da Copasa e reduz competição pela estatal mineira
- Itaúsa, GIC e Equipav se unem para disputar privatização da Copasa em consórcio ligado à Aegea
M&A
Mundo
Real Estate
Fundos
M&A
Mercado de Capitais
Serviços
Fundraising
M&A
- Indecx compra Bex Educação, em transação sem valor divulgado, para reforçar CX e mira faturamento de BRLm 100 até 2027
- Visma compra Dootax e Pag Útil, em transação sem valor divulgado, para criar plataforma tributária no Brasil
- GPA vende fatia de 67% na Stix para RD Saúde por BRLm 23 e encerra joint venture
- Grupo Zahran compra controle do Jaime Câmara e cria maior rede afiliada da Globo no país
Luca Rossi