Back to Teaser

BRL 2 bi pelo Mills e recorde do M&A brasileiro

BRAZIL 12 min read
Author
Luca Rossi

O primeiro trimestre de 2026 fechou com um número que resume bem o momento: menos deals, muito mais dinheiro em jogo. O mercado não esfriou, ficou mais criterioso. E o capital estrangeiro, que já respondia por 59% das operações na América Latina em 2025, segue dando o tom.

Do lado dos deals, os destaques da quinzena são:

  • A Loxam, maior locadora de equipamentos da Europa, anunciou a compra do bloco de controle da Mills por aproximadamente BRL 2 bi, equivalente á R$ 16 por ação, com prêmio de 22% sobre o fechamento anterior. Uma OPA para os demais acionistas vem na sequência, conforme determinação legal.
  • A Sabesp segue no modo aquisição e compra a Sanessol, concessionária de saneamento de Mirassol (SP) com contrato de 30 anos, por BRLm 125 corrigidos pelo CDI. Mais um tijolo na estratégia de consolidação do setor.
  • O TRXF11 estreou no setor hoteleiro com a aquisição da Forte Mar, dona do imóvel do Hotel Emiliano no Rio, ativo que saía do portfólio do BTG Pactual. Primeira operação hoteleira do fundo de BRL 6,2 bi de patrimônio.

Quer mais insights do backstage do M&A brasileiro? Se conecte comigo no LinkedIn e vamos conversar. 

Boa leitura.



Deals breakdown

Curadoria entre 12 de maio e 25 de maio

Deals identificados: 13

DealIndustrySeller/CounterpartyBuyer/Investor
01

Indecx compra Bex Educação, em transação sem valor divulgado, para reforçar CX e mira faturamento de BRLm 100 até 2027

Services

Bex Educação

Indecx

02

D1 Capital compra TRC e cria Aldak, grupo de BRL 1,2 bi em comunicação crítica

Industry

TRC

D1 Capital

03

Visma compra Dootax e Pag Útil, em transação sem valor divulgado, para criar plataforma tributária no Brasil

Services

Dootax e Pag Útil

Visma

04

Família fundadora da Predilecta compra participação na Bendu para acelerar expansão de alimentos saudáveis

Consumer

Bendu

Grupo de Investidores – Família Fundadora da Predilecta

05

TRX compra dona do imóvel do hotel Emiliano Rio em estreia no setor hoteleiro via TRXF11

Real Estate

Fundo de participações Warehouse (gerido pelo BTG Pactual) e J Filgueiras Empreendimentos e Negócios

TRX

06

GPA vende fatia de 67% na Stix para RD Saúde por BRLm 23 e encerra joint venture

Services

GPA

Stix

07

Britânica AB Mauri compra Casa de Bolos para reforçar franquias e confeitaria com receita projetada de BRLm 800

Consumer

Casa de Bolos

AB Mauri

08

Após fim de acordo com BS2, Z.ro compra vertical da Paag para ampliar aposta em pagamentos para bets

FIG

Paag

Z.ro

09

Sabesp compra concessão da Sanessol em Mirassol por BRLm 125 para expandir atuação em saneamento

Infrastructure

Sanessol

Sabesp

10

Grupo Zahran compra controle do Jaime Câmara e cria maior rede afiliada da Globo no país

Services

Jaime Câmara Jr. (acionista controlador do Grupo Jaime Câmara)

Grupo Zahran

11

Elea entra no Brasil com aquisição da Cellera Farma; acordo com Sanofi adiciona BRLm 650 em receitas e dobra faturamento da farmacêutica brasileira

Healthcare/Pharma

Cellera Farma

Elea

12

Loxam compra controle da Mills por BRL 2 bi, com prêmio de 22%, e amplia presença no mercado brasileiro de locação de equipamentos

Infrastructure

Mills

Loxam

13

Axxon amplia aposta em panificação congelada com fusão entre Doce D’Ocê e Nevasca; grupo projeta faturamento de BRLm 600 e mira consolidação do setor

Consumer

Doce D’Ocê e Nevasca

Axxon


Resultados do primeiro trismeste: M&A no Brasil mostra posição consolidada

O 1T 2026 fechou com 256 transações no Brasil, queda de 43% frente ao mesmo período de 2025, enquanto o valor agregado saltou 114%, para USD 17,7 bi. A equação mostra um mercado de capital concentrado, os tickets cresceram e a lógica de volume deu lugar à lógica de qualidade, segundo relatório da Aon com dados de TTR Data e Datasite.

O padrão se repete em toda a América Latina. A região registrou 482 transações no trimestre, com recuo de 36% no volume, mas crescimento de 87% no capital mobilizado. 

No buyer-side, temos:

  • América do Norte liderando o fluxo inbound com 75 transações (44%) na região;
  • Europa aparece colada, com 73 transações (43%);
  • A Ásia fecha com 16 transações (9%).

No ranking por país, o Brasil lidera em volume com 256 operações, mas os números mais reveladores estão nos vizinhos. 

  • O México registrou queda de 13% em transações e alta de +420% em valor (USD 6,08 bi);
  • A Colômbia repete a dose: -38% em volume, +189% em capital (USD 5,31 bi);
  • O Peru entrega o número mais gritante: -14% em deals, +856% em valor (USD 3,47 bi). 

No geral, o trimestre priorizou estrategistas com tese clara, ativo com escala e governança no lugar encontrou mercado. O foco não está mais no volume, e isso acontece há algum tempo. 

O período agora ajuda a botar uma pá de cal (mesmo que momentânea) nos padrões que vimos em 2021. 

E tudo bem, porque mercados que passam por esse filtro saem mais saudáveis do outro lado.


PE brasileiro: o relógio não para e o mercado começa a se reinventar

Os fundos de private equity brasileiros nunca ficaram tanto tempo com suas investidas em carteira. Em 2024, o holding médio chegou a 5,6 anos, o dobro do observado há quinze anos, segundo estudo da Spectra encomendado pelo Valor.

O valor impressiona, mas não faz parte de uma tendência nova. A série histórica mostra que:

  • 2022: 4,8 anos
  • 2023: 5,2 anos
  • 2024: 5,4 anos
  • 2025: 5,6 anos

Os motivos entram em um misto de mercado de IPO parado (só desbloqueado recentemente, pela Compass) e nível de M&A ainda aquém do necessário para dar tração aos desinvestimentos. O resultado direto aparece no processo de captação: quem não consegue mostrar saída, tem dificuldade de levantar o próximo fundo.

Mas a tração de IPOs ainda não pegou, e o mercado não pode ficar parado esperando os juros caírem. Uma saída alternativa começa a ganhar tração: o secundário de PE, com fundos de continuação que permitem às gestoras ganhar prazo sem forçar uma venda a preço ruim. Cerca de 40% dos fundos da Spectra já estão alocados nessa estratégia. É a indústria se adaptando ao que o ambiente impõe e, no processo, criando uma nova camada de sofisticação no mercado local.

Gestoras que não conseguirem mostrar retorno vão enfrentar rodadas de captação cada vez mais difíceis. Nos EUA, essa pressão já produziu concentração visível. No Brasil, o movimento ainda está no começo, mas a direção é a mesma.


Energia: menos deals, mesma relevância estratégica

O setor de energia registrou queda de 18,6% nas transações de M&A em 2025: 70 operações contra 86 no ano anterior, segundo a PwC. A acomodação era esperada depois de anos aquecidos em geração distribuída e renováveis de grande porte. Mas menos volume não significa menos relevância:

  • O curtailment segue como gargalo estrutural e pauta nos próximos dois ou três anos;
  • A demanda por energia de data centers e IA reposiciona o Brasil como destino estratégico, mas com a ressalva de que a infraestrutura de escoamento ainda não acompanha o apetite;
  • Transmissão emerge como o próximo front de M&A, dado o gargalo de escoamento de geração renovável.

O volume caiu, mas os motores de transação continuam vivos. Reciclagem de capital, pressão por escoamento de geração renovável e demanda crescente de data centers ainda têm muito chão pela frente. A conta vai chegar, só ainda não sabemos em qual trimestre.


Stay in the loop on M&A rumors and news Subscribe to M&A Teaser