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Megadeals e baixas distribuições dominam o PE

BRAZIL 10 min read
Author
Joseph Kalim

O Private Equity no Brasil parece estar chegando em um ponto de inflexão, e dealmakers vão precisar fazer uma escolha. No Teaser Brasil dessa semana, três deals, três apostas diferentes. Mas todas têm o mesmo pano de fundo: um mercado que ainda cobra caro de quem errou o timing e remunera bem quem chegou capitalizado.

  • A Cosan vendeu 12% da Radar por BRL 1,85 bi em ativos agrícolas no Mato Grosso. Com alavancagem em 3,3x e um pipeline de vendas que ainda inclui fatias da Rumo e da Compass, a holding está num processo sistemático de limpeza de balanço que vai ocupar o mercado por mais alguns trimestres.
  • A Monte Capital comprou a Takoda, spin-off de data centers da Tivit que pertencia à Apax Partners. Os BRL 2 bi em investimentos previstos para expansão mostram que a aposta é grande, e a tese, por ora, faz sentido.
  • A Gerdau fechou a aquisição dos 23,03% da COPEL na DFESA e agora detém 100% da hidrelétrica Dona Francisca. Pagou BRLm 150 à vista, com caixa próprio, e impulsionou seu jogo nos renováveis em um mercado cada vez mais aquecido. .

Em todos “Brasils” que cabem no Brasil, a semana foi representativa. O M&A aparece como fonte de liquidez para quem só quer sobreviver, como oportunidade para quem investe olhando pro futuro, e como alavanca de crescimento e competitividade. A Q3 promete. 

Quer mais insights do backstage do M&A brasileiro? Se conecte comigo no LinkedIn e vamos conversar. 

Boa leitura.



Deals breakdown

Curadoria entre 9 de junho a 22 de junho.

Deals identificados: 9

DealIndustrySeller/CounterpartyBuyer/Investor
01

Search fund Nosara Capital adquire empresa de telediagnóstico Telecardio, que faturou BRLm 50 em 2025

Healthcare/Pharma

Telecardio

Nosara Capital

02

Cosan vende fatia de ativos da Radar por BRL 1,85 bi e levanta BRLm 586 para acelerar desalavancagem

Industry

Radar

Grupo Bom Futuro

03

Perfin amplia participação na Copasa para ~20% e se torna 2º maior acionista; Equatorial Energia mantém 30% como referência

Infrastructure

Copasa

Perfin

04

Monte Capital entra em infraestrutura digital com aquisição da Takoda e plano de expansão de BRL 2 bi para atender hyperscalers

Infrastructure

Takoda

Monte Capital

05

Aliança Energia amplia capacidade em 9% com parque eólico Caetité de 193 MW após aquisição da Pontal Energy

Energy

Pontal Energy

Aliança Energia

06

Factorial adquire YepCode e acelera integrações agênticas com IA para automatizar fluxos de RH

TMT

YepCode

Factorial

07

Governo de Sergipe desembolsa BRLm 152, estatiza a Sergas e assume controle total da distribuidora de gás canalizado para acelerar expansão do serviço

Infrastructure

Sergas

Governo de Sergipe

08

Aqua Capital adquire 64.314 ações da Energizer Holdings por USDm 1,35 em dois dias, reforçando tese de subavaliação e atratividade de dividend yield.

Energy

Energizer Holdings

Aqua Capital

09

Gerdau adquire 23,03% da DFESA da Copel por BRLm 150 e avança na autonomia energética e geração própria

Industry

DFESA

Gerdau


Private Equity: O ano em que o champanhe quase abriu

Os dados do relatório da Bain escondem uma verdade incômoda: apenas 13 megadeals de USD 10 bi ou mais foram responsáveis por 69% do crescimento em valor de deal em 2025. O número total de operações, por sua vez, caiu 6% ano a ano. 

Se tem uma métrica que ainda dói, é o DPI. As distribuições como percentual do NAV ficaram abaixo de 15% pelo quarto ano consecutivo, um recorde da indústria. Com o período médio de retenção de ativos em torno de sete anos, a análise de 15 vintages de buyout mostra que o IRR começa a declinar depois desse ponto. Segurar o ativo para “criar mais valor” tem prazo de validade, e muita gente está na beira desse limite.

O fundraising reflete o mesmo cenário. Depois de três anos de queda, o capital global de alternativos estabilizou em USD 1,3 tri em 2025, ainda longe do pico de USD 1,6 tri em 2021. Infraestrutura e secundários avançaram 58% e 11%, respectivamente, mas o buyout caiu 16%, puxando o carro-chefe da indústria para baixo.

O LP está mais exigente e com memória longa. Quem prometeu e não entregou nos últimos vintages vai sentir isso na pele por alguns anos.

No Brasil, o eco é parecido. Fundos de PE realizaram 32 novos investimentos em 2025 contra apenas 11 saídas, abaixo das 17 de 2024. O gap entre entrada e saída segue aberto. Gestores capitalizados como Vinci Compass e Pátria estão aproveitando múltiplos de entrada que não se viam há anos, com o argumento anticíclico de manual: ativos depreciados, menor competição e juro que eventualmente vai ceder. 

Para os demais, a espera pela janela de saída continua.

12 é o novo 5, e o capital estrangeiro já sabe disso

Essa talvez seja a mudança estrutural mais importante do ciclo. Para gerar um retorno de 2,5x em cinco anos, o crescimento anual de EBITDA necessário era de 5% há uma década. Hoje são 12%. 

Com juros mais altos e múltiplos de entrada ainda esticados, a alavancagem financeira perdeu força como motor de retorno. Quem ainda opera na mentalidade de “comprar, alavancar e aguardar múltiplo expandir” vai ter um despertar doloroso. Os vencedores do próximo ciclo serão os que constroem sistemas de criação de valor operacional desde o Dia 1, não os que têm o maior cheque.

O paralelo com as OPAs no Brasil é inevitável. Com IPOs ainda em compasso de espera e volatilidade afastando estreias em bolsa, o capital estrangeiro encontrou nas ofertas públicas de aquisição o caminho mais eficiente para ganhar exposição a ativos brasileiros de qualidade. Em 2025, investidores estrangeiros foram responsáveis por 59% das operações de M&A na América Latina, com 101 deals no Brasil protagonizadas por compradores de fora.

A lógica é simples: com o real em trajetória de valorização frente ao dólar e a bolsa em níveis elevados, o ativo brasileiro ficou mais caro em reais, mas continua barato em dólar para quem carrega capital em moeda forte. Essa arbitragem explica por que o fluxo não arrefeceu mesmo com o ruído macro global. O IPO da Medline em dezembro, o maior apoiado por PE da história, pode ser o sinal de que a janela de saída via mercado de capitais está reabrindo. Se o pipeline se confirmar, o ciclo de distribuições pode finalmente começar a destravar, tanto lá fora quanto aqui.


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