Duas forças movem esta edição. A consolidação virou o motor do M&A brasileiro: menos negócios e maiores, com o comprador cada vez mais estrangeiro e o câmbio abrindo a porta. No doméstico, a disputa é por plataforma e escala, de wealth a defesa, e não mais por receita marginal.
A segunda força é fiscal. A reforma tributária entrou no valuation e começou a reprecificar ativos: a due diligence virou prospectiva, o risco fiscal virou prognóstico e a própria incerteza vira catalisador da consolidação, de telecom aos serviços.
Na quinzena, os dois movimentos andaram lado a lado, do inbound em infraestrutura e seguros à corrida por custódia no wealth.
Os highlights desta edição são:
- Aena assume o Galeão até 2039, inbound direto em infraestrutura regulada de longo prazo, com lance de BRL 2,9 bi e 20% do faturamento repassado à União, consolidando a espanhola como maior operadora aeroportuária do país.
- Liberty Mutual leva a Austral, retomada do capital americano ao Brasil via um dos cinco maiores players de seguro garantia, mirando riscos de infraestrutura e energia.
- SVN compra a Expertise e chega a BRL 37 bi sob custódia, a consolidação doméstica em destaque, no mesmo compasso do Grupo Primo, que levou a Oikos e alcançou BRL 34 bi: no wealth, a régua virou AuC.
Quer mais insights ou apenas bater um papo sobre o mercado? Se conecte comigo no Linkedin e vamos conversar.
Boa leitura.

Resumo da Quinzena | 6 de outubro até 19 de outubro, 2026
O enredo da edição passada se mantém: menos negócios, maiores e com o comprador cada vez mais de fora. Mas a quinzena trouxe um segundo eixo, a consolidação doméstica fatiando nichos, de wealth a defesa.
No wealth, a régua é AuC. A SVN levou a Expertise, somou BRLm 900 e chegou a BRL 37 bi sob custódia; o Grupo Primo comprou a Oikos e alcançou BRL 34 bi; e o Itaú abocanhou 35% da Prisma para entrar em alternativos. É plataforma e escala, não receita marginal.
No inbound, o câmbio seguiu abrindo a porta. A Liberty Mutual recomprou presença ao levar a Austral, de olho em seguro garantia; o fundo francês Archimed firmou parceria com a Genetica Bioscience, em tratamento de efluentes; a Aena assumiu o Aeroporto do Rio até 2039; o Kadri Group ficou com 30% da General Water; e a Ticketmaster comprou a Bilheteria Digital por BRLm 150.
Na economia real, a tese dos átomos continua. O leilão do pré-sal arrematou sete dos treze blocos, a defesa esquentou com os irmãos Batista concluindo a Avibras e a Embraer levando 51% da Novavayu, da Mahindra, e o Pátria pôs cerca de BRLm 100 em avocado e restauração. Menos deals, mais plataforma: quem consolida dita o preço.
A reforma tributária reprecifica o Brasil, ativo por ativo
A reforma tributária costuma ser lida por três eixos: arrecadação, competitividade e simplificação. Mas há um quarto efeito, mais silencioso, que já mexe no M&A: a reprecificação de ativos. Valuation é, no fundo, uma projeção de geração de caixa futura, e quanto maior a previsibilidade de receita, custo e carga, mais precisa a conta. CBS, IBS e o IVA dual alteram exatamente esse grau de previsibilidade. O mercado já enxerga a tendência, mas ainda não mede a magnitude.
A primeira a mudar é a due diligence. O histórico fiscal continua importando, só que deixou de bastar. O comprador agora precisa modelar como o alvo atravessa a transição: cadeia de créditos, benefícios, regimes específicos, contratos de longo prazo e política de preços, e o que isso faz com EBITDA e caixa. “A due diligence passa a ter uma dimensão mais prospectiva”, diz Theodoro de Mattos, do Gaia Silva Gaede. A diligência parou de olhar só pelo retrovisor.
Sem jurisprudência consolidada, o risco fiscal vira prognóstico, não certeza, observa Daniel Moreti, do FMIS Law. O desenho da transição está dado, mas alíquota final, aproveitamento de créditos e capacidade de repasse ainda dependem de regulamentação.
Na falta de respostas, comprador e vendedor passam a negociar premissas, e a incerteza aparece na estrutura: desconto no preço, holdback, cláusula de ajuste, declarações e garantias mais detalhadas, earn-out e true-up de capital de giro. À medida que o Carf firmar entendimento sobre a CBS, o desconto por dúvida tende a cair.
O impacto não é uniforme, e a assimetria é o que alimenta o deal flow. Indústria, distribuição e cadeias longas tendem a ganhar com a não cumulatividade plena, aproveitando créditos sobre insumos, energia e logística, com reflexo positivo na margem. Serviços, sobretudo quem está no lucro presumido com PIS/Cofins cumulativo e ISS baixo, vão sentir a carga subir. Setor pressionado é setor que consolida.
O mercado de telecom é o laboratório. No Futurecom, Rodrigo Schuch, da Associação Neo, descreveu um mercado que prefere consolidar a voar sozinho: das 19 mil empresas com outorga de banda larga, só 700 passam de 5 mil assinantes, e cerca de 14 milhões de acessos sequer chegam à Anatel.
Some informalidade e crime, “tem cidades em que 50% da banda larga estão na mão de facções”, e um IVA de referência estimado em 27,91% que eleva a carga de quem nunca se preparou para o cashback. A própria Anatel admite o vetor: para o superintendente José Borges, a reforma pode ser “um catalisador do processo de consolidação”, com o split payment empurrando donos cansados para a venda.
A regra ainda não está pronta, mas o preço já se move. Na transição, quem projetar a própria carga chega à mesa valendo mais, e quem não projetar entrega o desconto na diligência.
Rumores
Regulatório
Job moves
- Mario Leão é favorito para assumir comando do Bank of America no Brasil
- Edelman Brasil reformula diretoria e nomeia três executivas
- PepsiCo nomeia Renato Boldo vice-presidente e CFO
- Inter anuncia nova estrutura de liderança executiva
- Clube de Criação anuncia novas contratações e promoções no mercado publicitário
- A5X nomeia André Passaro, ex-superintendente da CVM, como diretor regulatório
- Raiô Benefícios contrata executivos C-level para acelerar expansão
- BNP Paribas Cardif Brasil nomeia Mirelly Gama diretora de Novos Negócios
- Alexandre Monteiro assume vice-presidência e cargo de CRO da Visa
- Fog completa 25 anos e reforça sua liderança
Joseph Kalim