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Os dados que revelam como foram os M&As em 2025

Brazil 21 min read
Author
Luca Rossi

O mercado global de M&A voltou a girar forte em 2025. US$ 4,5 trilhões em transações, segundo maior volume dos últimos 40 anos, megadeals de volta ao radar e capital claramente disposto a assumir risco — desde que a tese faça sentido. No Brasil, o movimento foi menos barulhento, mas longe de irrelevante: 1.644 transações e R$ 256 bilhões movimentados até novembro, com crescimento em volume e valor mesmo em um ambiente ainda pressionado por juros altos.

Aqui, o ano não foi de euforia. Foi de disciplina. Grandes operações garantiram os números, o capital estrangeiro voltou a ganhar protagonismo — especialmente o asiático — e setores como tecnologia, infraestrutura, energia e ativos reais sustentaram o fluxo de deals. Não teve excesso. Teve critério.

Principais insights desta edição:

  • M&A em 2025 no Brasil cresce em volume e valor, mesmo com juros ainda elevados
  • Operações cross-border ganham força, com avanço asiático e europeus mantendo protagonismo
  • Private Equity acelera em valor; Venture Capital perde tração, mas atrai estratégicos gringos
  • Infraestrutura, energia e tecnologia sustentam os grandes cheques
  • Caixa volta a dominar estruturas de deal — menos complexidade, mais execução
  • 2026 aponta para recuperação gradual, com menos hype e mais convicção

Quer mais insights do backstage do M&A brasileiro? Se conecte comigo no LinkedIn e vamos conversar. 

Boa leitura.



Deals breakdown

Curadoria entre 10 de dezembro de 2025 até 5 de janeiro de 2026

Deals identificados: 44

DealIndustrySeller/CounterpartyBuyer/Investor
01

Sementes São Francisco (Pátria) compra a Auma Sementes e entra em sementes de soja em MG; valor não divulgado.

Agribusiness

Sementes São Francisco

Auma Sementes

02

Grupo Hindiana (Dalpe) assina acordo de BRLm 150 para adquirir o controle da Neogrid (com OPA).

Agribusiness

Grupo Hindiana (Dalpe Gestão e Participações)

Neogrid (holding Yafo)

03

Wallerius Seguros compra 100% da Ativa Agro e estreia em M&A; valor não divulgado.

Agribusiness

Wallerius Seguros

Ativa Agro

04

IMC vende participação total no KFC Brasil por USDm 25 para Kentucky Foods Chile (USDm 5 upfront).

Consumer

IMC (International Meal Company)

Kentucky Foods Chile

05

Savencia (Polenghi) assina acordo para comprar a Quatá Alimentos; valor não divulgado (sujeito ao Cade).

Consumer

Savencia Fromage & Dairy

Quatá Alimentos

06

Mart Minas conclui compra de 7 unidades Apoio Mineiro (Grupo Multi Formato); valor não divulgado.

Consumer

Mart Minas

Apoio Mineiro (Grupo Multi Formato)

07

Private&Co (Kelvyn Benites) compra participação minoritária na Oakberry; valor não divulgado.

Consumer

Private&Co (Kelvyn Benites)

Oakberry

08

Cade aprova fusão Petz–Cobasi com remédios; exige desinvestimento/venda de 26 lojas.

Consumer

Petz

Cobasi

09

Aliança Energia (Vale/GIP) compra o Complexo Eólico Caetité Norte (BA) da Pontal Energy/Denham; valor não divulgado.

Energy

Aliança Energia

Pontal Energy (Denham Capital)

10

Energisa compra ações preferenciais da EPM detidas pelo Itaú por BRL 1,034 bi e passa a 100%.

Energy

Energisa

Itaú Unibanco (EPM)

11

Galp transfere 40% de licença exploratória na Namíbia para a TotalEnergies; valor não divulgado.

Energy

Galp

TotalEnergies

12

Bemobi compra 50,1% da Paytime por BRLm 28,1 e adquire a Celer por BRLm 8,8.

FIG

Bemobi

Paytime / Celer

13

Itaú vende operação de varejo na Colômbia ao Banco de Bogotá (Grupo Aval) e vende unidade no Panamá à Inversiones Financieras (Grupo Aval); valores não divulgados.

FIG

Itaú Unibanco

Banco de Bogotá (Grupo Aval) / Inversiones Financieras (Grupo Aval)

14

TOTVS compra a TBDC por BRLm 80 e reforça a vertical Agro (bolt-on).

FIG

TOTVS

TBDC

15

Pátria compra o braço de FIIs listados da RBR (12 fundos) e chega a ~BRL 38 bi em real estate; valor não divulgado.

FIG

Pátria Investimentos

RBR Asset (FIIs listados)

16

Dasa vende 100% de HSD Neuro Imagens + Hospital São Domingos + São Domingos RE por BRL 1,2 bi (BRL 1,1 bi à vista) para Mederi/Venire.

Healthcare/Pharma

Dasa

Mederi Participações / Venire Participações

17

Bionexo compra a plataforma hospitalar Tasy da Philips por EURm 161 (≈BRL 1 bi).

Healthcare/Pharma

Bionexo

Tasy (Philips)

18

One Fertility compra BIOS, CEFERP e Monteleone em M&A triplo para consolidar reprodução assistida; valor não divulgado.

Healthcare/Pharma

One Fertility

BIOS / CEFERP / Monteleone

19

Leveros adquire a Refrigás e amplia ecossistema de climatização/refrigeração; valor não divulgado.

Industry

Leveros

Refrigás

20

WEG compra a indiana Sanelec Excitation Systems por USDm 5,2.

Industry

WEG

Sanelec Excitation Systems

21

V.tal compra a Um Telecom e incorpora ~20 mil km de fibra no Nordeste; valor não divulgado.

Infrastructure

V.tal

Um Telecom

22

Kinea faz aporte (primário) e vira sócia minoritária da Winity (Pátria); valor não divulgado.

Infrastructure

Kinea (Kinea Equity Infra I)

Winity Telecom (Pátria)

23

TotalEnergies vende 50% de portfólio renovável (424 MW) na Grécia para Asterion; valuation EURm 508.

Infrastructure

TotalEnergies

Asterion Industrial Partners

24

Cade aprova sem restrições a compra do controle da Emae pela Sabesp (transação bilionária).

Infrastructure

Sabesp

Emae

25

TIP Brasil investe BRLm 500 na aquisição e expansão de data center em Campinas (SP).

Infrastructure

TIP Brasil

Data center em Campinas (Tropical)

26

Âmbar Energia (J&F) assina acordo com a EDF para comprar UTE Norte Fluminense e o projeto Norte Fluminense 2; valor não divulgado.

Infrastructure

Âmbar Energia (J&F)

EDF (UTE Norte Fluminense)

27

Altarede e K2 Telecom anunciam fusão e criam a holding Avança Participações; valor não divulgado.

Infrastructure

Altarede

K2 Telecom

28

Mambo WiFi cria joint venture com Helium para lançar conectividade descentralizada no Brasil; valor não divulgado.

Infrastructure

Mambo WiFi

Helium

29

Acionistas de Anglo American e Teck aprovam fusão (all-stock, ~USD 53 bi) para formar Anglo Teck.

Infrastructure

Anglo American

Teck Resources

30

Simpar vende a Ciclus Ambiental por BRL 1,085 bi para a Aegea.

Infrastructure

Simpar

Aegea

31

Claifund (China) compra participação na UTE Marlim Azul; Shell e Mitsubishi vendem (Pátria permanece); valor não divulgado.

Infrastructure

Claifund

Shell / Mitsubishi Power (UTE Marlim Azul)

32

Guararapes/Riachuelo vende o Midway Mall (RN) e imóveis por BRL 1,61 bi para grupo liderado pela Capitânia.

Real Estate

Guararapes (Riachuelo)

Capitânia Capital + co-investidores

33

TRXF11 compra 90% do FII HIRE (5 galpões logísticos) por BRLm 402,8.

Real Estate

TRXF11 (TRX Real Estate)

FII HIRE

34

JHSF conclui venda de estoque imobiliário por BRL 5,2 bi para novo FII ancorado por Bradesco, XP e Itaú.

Real Estate

JHSF

Novo FII (Bradesco / XP / Itaú)

35

Apex Partners adquire Potenza e Redoma e acelera expansão em M&A; valor não divulgado.

Services

Apex Partners

Potenza Capital / Redoma Capital

36

Marcelo de Carvalho vende todas as ações na RedeTV! para Amilcare Dallevo Jr; valor não divulgado.

Services

Marcelo de Carvalho

Amilcare Dallevo Jr

37

Alper Seguros compra a Elevus (acquihire) e faz a 6ª aquisição de 2025; valor não divulgado.

Services

Alper Seguros

Elevus

38

Grupo Brivia compra 100% da Pravy e projeta +BRLm 30 de receita em 2026; valor não divulgado.

Services

Grupo Brivia

Pravy

39

Grupo EP compra 60% da Sprint Mídia (franquia Eletromidia Campinas) com opção de 100% em até 5 anos; valor não divulgado.

Services

Grupo EP

Sprint Mídia

40

Independiente del Valle lidera grupo e compra participação minoritária no Coritiba SAF; valor não divulgado.

Sports

Independiente del Valle (grupo de investidores)

Coritiba SAF (Treecorp/Outfield)

41

Numen compra 25% das operações da Backlgrs (parceira Salesforce) e acelera CX; valor não divulgado.

TMT

Numen

Backlgrs

42

Magalu Cloud adquire a empresa de IA Movestax; valor não divulgado.

TMT

Magalu Cloud (Magazine Luiza)

Movestax

43

Árvore e SuperAutor unem operações em fusão e criam plataforma com 11 mil escolas e 4 mi alunos; valor não divulgado.

TMT

Árvore

SuperAutor

44

BASE Digital compra a startup Atendo e reforça oferta de atendimento omnichannel; valor não divulgado.

TMT

BASE Digital

Atendo


M&As em 2025 foi o ano em que o mercado resolveu sair do modo avião

Se 2025 não foi um ano de euforia no Brasil, foi um ano de consistência — e isso não é pouco. Até novembro, o mercado transacional brasileiro somou 1.644 transações, movimentando BRL 256,0 bi, segundo o TTR Data. Os números mostram um avanço moderado, porém sólido: +5% no número de operações e +6% no capital mobilizado frente a 2024. Em um cenário global ainda seletivo, crescer já é vitória. Crescer com execução, melhor ainda: 85% das operações já estão concluídas.

Novembro foi um bom termômetro. Foram 110 transações entre anunciadas e fechadas, totalizando BRL 26,3 bi — sinal de pipeline ativo até o fim do ano. O protagonismo setorial ficou claro: Internet, Software & IT Services liderou com 297 operações, seguido por Real Estate, com 169. Tecnologia segue sendo volume; ativos reais, o valor.

No cross-border, o Brasil voltou a jogar dos dois lados do tabuleiro. Empresas brasileiras olharam principalmente para os EUA (49 transações, BRL 8,7 bi), enquanto Estados Unidos e Reino Unido lideraram os investimentos aqui, com 145 e 27 operações, respectivamente. O dado que importa: investimentos de fundos estrangeiros de Private Equity e Venture Capital cresceram 21% em 2025. Capital externo não desapareceu — ficou mais criterioso.

O recado do ano é direto (e um pouco ácido): o Brasil segue fazendo M&A — não no hype, mas na disciplina. Quem ajustou tese, estrutura e risco regulatório continuou fechando negócios. O resto ficou esperando 2021 voltar. Spoiler: não voltou.

Olhando adiante, 2026 não deve marcar uma ruptura, mas sim a extensão natural do que 2025 já começou a desenhar. Mesmo com eleições no radar e volatilidade elevada, a expectativa do mercado é de manutenção — com leve aceleração — da atividade de M&A, apoiada pelo início do ciclo de corte de juros no Brasil. Ainda que a Selic permaneça em patamar elevado, o simples deslocamento da trajetória já melhora custo de capital, destrava decisões e reduz assimetrias de valuation.

Nesse ambiente, muitas empresas devem continuar usando o M&A como ferramenta de ajuste de balanço: reciclagem de ativos, redução de endividamento e consolidação setorial. Agronegócio, consumo e varejo tendem a seguir ativos nesse movimento. Em paralelo, operações de maior porte devem se concentrar nos setores que já mostraram resiliência em 2025 — energia, mineração, logística, infraestrutura e tecnologia associada a ativos físicos, como data centers.


M&A em 2025: capital estrangeiro muda de rota e operações cross-border ganham protagonismo no Brasil

Em 2025, foram justamente as operações cross-border de grande porte que garantiram os volumes do M&A brasileiro em um ano ainda pressionado por juros elevados. Segundo a Dealogic, o volume anunciado até meados de dezembro somou BRL 234 bi, praticamente em linha com 2024. A diferença não esteve no tamanho do mercado, mas na origem do capital.

O dado mais emblemático veio da Ásia. Um estudo do UBS BB mostra que investidores asiáticos responderam por cerca de 40% do volume de M&As cross-border no Brasil até setembro, totalizando USD 12,5 bi— bem acima dos 17% registrados em 2024. Cinco das 16 maiores transações do ano tiveram participação asiática, com destaque para infraestrutura, energia, mineração e óleo & gás. O fechamento de capital da Serena Energia, com participação do fundo soberano de Singapura (GIC), e a aquisição de 70% da Vast Infraestrutura pela China Merchants, por cerca de USD 1 bi, ilustram bem esse movimento.

Esse redirecionamento é consequência direta da reconfiguração geopolítica global. Restrições dos EUA à China e maior imprevisibilidade nas relações comerciais empurraram investidores asiáticos a buscar mercados com escala, ativos reais e boas relações diplomáticas — combinação em que o Brasil se encaixa com precisão cirúrgica. Não por acaso, os investimentos diretos chineses caminham para o maior nível desde 2014.

Do lado brasileiro, as empresas continuaram olhando para fora, principalmente para os Estados Unidos (49 transações até novembro), em busca de crescimento e diversificação. Já no front financeiro, o dado que importa é outro: fundos estrangeiros de Private Equity e Venture Capital ampliaram em 21% os investimentos no Brasil em 2025, mesmo com menor apetite local.

Esse apetite externo também ficou evidente no mercado de tecnologia. Com fundos de VC mais seletivos, compradores estratégicos estrangeiros avançaram sobre startups brasileiras. Segundo a IGC Partners, mais de 70% das transações de tecnologia assessoradas em 2025 foram vendidas para gringos, e a projeção é de aumento em 2026. Para esses compradores, o M&A não é só crescimento — é atalho regulatório, entrada em um mercado complexo e captura de eficiência, especialmente quando a empresa-alvo combina crescimento, margem e uso inteligente de IA.

O recado é claro: o capital estrangeiro não saiu do Brasil — ele ficou mais estratégico. Em um mundo onde o dinheiro mudou de rota, o País voltou a ser destino. Não por narrativa, mas por ativos.


M&A 2025: menos euforia, mais convicção — e o capital voltou a se mover

Ao olhar para 2025 com um pouco mais de distância, um padrão fica difícil de ignorar: o dinheiro voltou a mandar no M&A público. De acordo com levantamento da Corrs Chambers Westgarth, o gráfico mostra que, nos últimos 12 meses, 66% das transações foram feitas exclusivamente em caixa, o maior percentual dos últimos cinco anos. Não é uma ruptura — é uma aceleração de uma tendência que já vinha se desenhando desde 2023.

A explicação é menos técnica do que parece. Com o custo da dívida começando a ceder e maior visibilidade sobre o ambiente macro, ofertas em cash voltaram a ser viáveis e, principalmente, desejáveis. Para o vendedor, o apelo é óbvio: liquidez imediata e menos exposição a oscilações de mercado. Para o comprador, menos diluição, menos discussões sobre valuation relativo e uma mensagem clara ao mercado.

Isso não significa que o uso de ações saiu de cena. Scrip continua aparecendo nos deals grandes, especialmente em fusões estratégicas entre companhias listadas, onde faz sentido dividir risco e capturar sinergias no longo prazo. Não por acaso, foi a moeda escolhida em operações como Soul Patts, Brickworks e De Grey Mining. O gráfico reflete bem esse equilíbrio: as ações não somem, mas ficam restritas aos casos em que a estratégia pesa mais que o financiamento.

O takeaway para 2026 é simples: com juros em trajetória de queda, o caixa tende a seguir dominante. Mas o mercado segue pragmático. Quando o tamanho do deal ou a lógica industrial pedem, o papel ainda entra no jogo. Menos dogma, mais contexto — exatamente como o M&A gosta de funcionar.



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